INCLUSÃO

Conheça ‘Os Lanternas’: banda de Goiânia é a 1ª formada só por autistas

Jovens autistas se conheceram no Naia, uma associação sem fins lucrativos de Goiânia que atende pessoas incluídas no espectro

Conheça 'Os Lanternas': banda de Goiânia é a 1ª formada só por autistas (Foto: Divulgação)
Conheça 'Os Lanternas': banda de Goiânia é a 1ª formada só por autistas (Foto: Divulgação)

Entre as características que fazem parte do espectro autista, uma é comum a todos com essa condição: a pouca habilidade social. Isso torna ainda mais impressionante o fato de que nove adolescentes autistas de Goiânia estão juntos desde 2022 para formar uma banda de pop rock chamada ‘Os Lanternas’. O conjunto fez uma apresentação memorável no último sábado (21), no Taberna Pub.

Os ‘Lanternas’ nasceram de um grupo coordenado pela musicoterapeuta Renata Lima no Núcleo de Arte e Inclusão do Autista (Naia), localizado no setor Pedro Ludovico, em Goiânia. A formação atual tem Alexandre Augusto (vocal), Andy (vocal), Caio Canedo (baixo), Gustavo Cabral (vocal), Marcos Filho (bateria e vocal), Marx Osório (guitarra e vocal), Pedro Henrique Guimarães (violão), Samuel Paim (teclado) e William Ferreira (vocal).

Mais do que fazer sucesso, o objetivo da banda é o de ensinar os adolescentes a lidar com adversidades que são muito mais penosas para pessoas com autismo. “Queremos que nossos filhos aumentem a autonomia deles e adquiram habilidades que vão levar para vida. Na banda eles aprendem a lidar com atrasos, com frustrações e com intensidades e barulho e luz difíceis de suportar”, explica Marcelo Oliveira, presidente do Naia.

Integrantes da banda (Foto: Reprodução)

 Os nove travam batalhas individuais para se adaptar a um mundo que pouco se esforça para entendê-los. Gustavo, Pedro e Andy, por exemplo, acabam de ser contratados para exercer funções administrativas em empresas, e Samuel é recém-ingresso na UFG.

O Naia era um grupo informal de pais de crianças autistas que resolveu se organizar em torno de uma associação sem fins lucrativos e formalmente constituída, em 2019. Oferece tratamento multidisciplinar, com foco na inclusão pela cultura, e se desdobra para atender à demanda com o pouco dinheiro que recebe – a principal fonte de recursos são emendas destinadas por vereadores.

A primeira apresentação foi uma cantata de Natal em 2016, com 15 jovens autistas no palco do Teatro Inacabado. Em 2019 veio a encenação de Saltimbancos, e, no ano seguinte, Rei Leão para um público de 600 espectadores. Após o hiato provocado pela pandemia, o Naia volta no segundo semestre de 2021. Foi quando Caio deu a ideia de constituir uma banda.

“O Marcos já fazia bateria e o Alê, que é autista cego, tocava percussão. Mas a maioria ali não tocava absolutamente nada. Aos poucos eles encontraram o lugar de cada um na banda e o encaixe aconteceu”, lembra Marcelo.

PIX PARA CONTRIBUIR COM O NAIA: naiaautismo@gmail.com

A produção dos shows é feita pela esposa de Marcelo, Osiene Almeida, que fez faculdade de Produção Cênica da Universidade Federal de Goiás (UFG) com o claro propósito de utilizar a sua formação em favor dos jovens do Naia. Aos pais, cabe a tarefa (igualmente honrosa) de levar os filhos aos dois ensaios por semana e acompanhá-los em algumas apresentações fora de Goiânia.

O Naia tenta fechar no máximo dois shows por semana, de modo a não sobrecarregar os artistas, mas abre exceções em abril (mês mundial de conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista) e em setembro (mês da luta em favor dos direitos das pessoas com deficiência). No dia 2 do próximo mês, por exemplo, os ‘Lanternas’ se exibirão no parque Areião. No dia 10 em Israelândia e, no dia 27, em Alto Horizonte.