Nova bienal de arte em Goiânia tenta mostrar que o agro é mais do que pop
Edição inaugural da mostra em março terá Germano Dushá como diretor artístico
O agro, como já cravou a famosa campanha televisiva, é pop. Mas em Goiânia, ele também quer ser arte, reflexão e identidade cultural. Prova disso é a nova bienal de arte contemporânea que será realizada na capital goiana no segundo semestre de 2026, com a proposta de ir além da visão simplificada do agronegócio e revelar suas camadas simbólicas, sociais e históricas.
O projeto é uma parceria entre o Sesc e o governo de Goiás e será liderado pelo curador Germano Dushá, nome de peso da cena artística nacional. Ele esteve à frente do aclamado Panorama do Museu de Arte Moderna de São Paulo, em 2023, e é reconhecido por pesquisas que aproximam arte, território e política cultural.
Segundo Dushá, a bienal será uma exposição de grande porte, com artistas convidados a desenvolverem obras inéditas especialmente para o evento. A proposta curatorial prevê ainda uma atenção especial aos criadores do Centro-Oeste, região que constrói sua identidade cultural paralelamente à força econômica do agro e da pecuária.
Esse movimento já vem sendo percebido em Goiânia. Galerias como a Cerrado, do grupo Almeida & Dale, instalaram-se na capital apostando na potência simbólica do bioma e da produção local. Agora, a iniciativa ganha escala institucional, colocando Goiás no radar dos grandes eventos de arte contemporânea do país.
Um dos exemplos dessa efervescência cultural é o Sertão Negro, projeto comandado pelo artista goiano Dalton Paula, que teve destaque na última Bienal de São Paulo. A iniciativa reúne artistas da periferia de Goiânia e evidencia narrativas muitas vezes invisibilizadas, conectando arte, ancestralidade e território — elementos que dialogam diretamente com a proposta da nova bienal.
Para o Sesc e o governo estadual, a bienal representa um investimento estratégico no fomento cultural, fortalecendo a cena artística local e ampliando o diálogo entre arte, economia e sociedade. A expectativa é que o evento ajude a consolidar Goiânia como um polo cultural do Centro-Oeste, capaz de produzir reflexão crítica a partir de sua própria realidade.
Assim, a bienal de arte em Goiânia nasce com a missão de mostrar que o agro vai muito além do slogan: ele também é cultura, conflito, memória e criação artística.
- Museu de Arte de Goiânia abre duas exposições nesta terça-feira (27)
*Com informações da Folha de São Paulo