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“Achei que fosse ficção”, diz protagonista de minissérie da Netflix sobre o caso do Césio-137 em Goiânia

'Emergência Radioativa' revisita desastre ocorrido em 1987

“Achei que fosse ficção”, diz protagonista de série da Netflix sobre o caso do Césio-137 em Goiânia Emergência Radioativa 1987
Imagem: Divulgação Netflix

Via F5 – “Se alguém visse um pozinho azul que brilha, provavelmente ia querer tocar.” É assim que o ator Johnny Massaro resume um dos pontos centrais da história retratada na minissérie Emergência Radioativa, da Netflix. Para ele, o acidente com o Césio-137, que ocorreu em Goiânia em 1987, mostra como a desinformação pode se transformar em tragédia.

A série acompanha a corrida contra o tempo iniciada após a abertura de um aparelho de radioterapia abandonado em um ferro-velho, que espalhou o material radioativo (o tal “pozinho azul que brilha”) pela cidade. A contaminação atingiu milhares de pessoas e deixou marcas profundas na história do país.

Curiosamente, o ator revela que não conhecia o episódio histórico antes de participar da série. Nascido em 1992, cinco anos após o acidente, ele conta que nunca havia estudado o tema na escola.

“Quando fui fazer o teste, li a sinopse e achei que era ficção. Pensei: ‘Nossa, que história criativa’. Só depois me disseram que aquilo tinha acontecido de verdade”, lembra. “Foi um choque. E quando descobri, pensei: agora que eu quero contar essa história mesmo.”

A surpresa, segundo ele, virou motivação. “Percebi que muita gente também não conhece esse episódio”, afirma. “E é um evento enorme. Foi o maior acidente radiológico da história.”

Na produção, Massaro interpreta Márcio, um dos profissionais envolvidos na tentativa de conter os efeitos da contaminação. O personagem enfrenta um conflito pessoal intenso ao tentar equilibrar o trabalho em meio à crise com a vida familiar —sua companheira está grávida durante os acontecimentos.

Segundo o ator, essa tensão foi um dos pontos mais complexos na construção do papel. “Ele tem diante de si o amor da vida dele esperando um filho, e de repente precisa decidir entre ficar com a família ou agir diante de algo que pode afetar muita gente”, explica.

Para Massaro, a decisão do personagem nasce justamente dessa sensação de responsabilidade. “Ele entende que talvez seja a única pessoa ali capaz de fazer alguma coisa. Então tenta equilibrar os pratos. Não é que ele abandone a família, mas ele precisa agir”, diz.

“Quando você entende a dimensão da tragédia, percebe que não foi só sobre doença ou morte. Casas tiveram que ser demolidas, roupas e objetos destruídos, memórias inteiras apagadas”, diz Massaro. “As pessoas perderam parte da própria história.”

Além dele, a produção reúne nomes como Paulo Gorgulho e Ana Costa, que interpretam personagens ligados à tentativa de conter os efeitos da radiação.

Ana Costa vive Antônia, uma mulher comum que, ao perceber que algo estranho está acontecendo com um material guardado em casa, decide procurar ajuda das autoridades. Para a atriz, a personagem representa o papel fundamental da população durante momentos de crise.

“Ela não sabe exatamente o que é aquilo, mas sente que algo está errado. Então pega o material e leva para a saúde pública”, conta. “Isso mostra como muitas mãos foram importantes naquele momento. A série fala muito sobre essa força coletiva.”

Gorgulho destaca a importância da atitude da personagem dentro da narrativa. “Sem a Antônia, a tragédia teria sido muito maior”, afirma. “Ela tem coragem de agir mesmo sem entender completamente o risco. Aquela decisão muda tudo.”

Para Ana, a parte mais impactante da experiência foi interpretar o processo de deterioração física causado pela radiação. “Eu ficava mais de duas horas em caracterização. Aos poucos iam aparecendo as feridas, as bolhas, a queda de cabelo”, lembra. “Não tinha como não imaginar que aquilo aconteceu de verdade com pessoas.”

Mesmo assim, a atriz diz que procurava separar o peso emocional das gravações da vida pessoal. “Durante as cenas eu vivia aquilo intensamente, pensava na dor que aquelas pessoas sentiram. Mas quando terminava, eu tentava desligar.”

Com direção geral de Fernando Coimbra e produção da Gullane, “Emergência Radioativa” revisita um dos episódios mais marcantes da história recente do Brasil a partir de diferentes perspectivas —da população afetada aos cientistas envolvidos na contenção do desastre.

Além de Massaro, Gorgulho e Ana Costa, o elenco inclui nomes como Tuca Andrada, Bukassa Kabengele e Leandra Leal, entre outros. A minissérie estreia nesta quarta-feira (18) no catálogo da Netflix.