PRIMEIRO PASSO

CBF propõe calendário para futura liga unificada de clubes e apresenta 10 pontos em que Brasileirão pode melhorar como produto

Representantes dos 40 clubes das Séries A e B e das federações estaduais se reuniram com a CBF no Rio de Janeiro para dar início aos debates.

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Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Por O Globo

Representantes dos 40 clubes das Séries A e B e das federações estaduais se reuniram com a CBF num hotel no Rio de Janeiro para dar início aos debates sobre a criação de uma liga unificada. Neste encontro, que serviu como ponto de partida, a entidade apresentou um estudo sobre o Brasileirão enquanto produto, comparando-o com as principais competições europeias e apontando 10 quesitos em que pode melhorar.

Além disso, a CBF estabeleceu um cronograma para inauguração do estatuto desta futura liga. A previsão é anunciar o documento até o fim do ano. Até lá, haverá espaço para coleta de sugestões, elaboração de propostas, ajustes, aprovação e, enfim, o lançamento do estatuto.

Vale lembrar que hoje os clubes são divididos em dois blocos comerciais: Libra e FFU. Qualquer venda de direitos só começa a valer a partir de 2030, já que os dois lados possuem contratos em vigor até 2029. Até por isso, discussões como a da divisão dos valores pode ficar para mais tarde. Pelo entendimento da entidade, porém, o produto pode e deve ser melhorado antes da comercialização.

Os dez pontos a serem atacados, de acordo com o estudo apresentado, são: calendário, tempo de jogo, público e segurança nos estádios, infraestrutura das arenas, transmissão, comunicação e redes sociais, marketing, fuga de talentos, regulamento e sustentabilidade financeira. Em todos eles, o Brasileirão se encontra atrás das ligas com as quais foi comparado (Premier League, La Liga e Bundesliga).

– Essas reformas não são acessórios; são fundamentos. Sem elas, qualquer modelo de liga nasceria frágil, incapaz de entregar o valor que todos nós desejamos. Por isso, mesmo sabendo da importância da liga, optamos por construir primeiro as bases que garantissem sua sustentabilidade – afirmou o presidente da CBF Samir Xaud, que discursou para os dirigentes no início da reunião.

Uma das questões trazidas pela CBF diz respeito ao horário dos jogos. Segundo ela, 80% das partidas no Brasil ocorrem à noite, o que ajuda a afastar o torcedor dos estádios. Na Inglaterra, este percentual cai para 25% (30% na Alemanha e 60% na Espanha).

Em relação à duração dos jogos, hoje a média do Brasileirão é de 51 minutos. A ideia da CBF é aumentá-la para 60 minutos, o padrão defendido pela Fifa. Para isso, é preciso combater o excesso de tempo perdido com paralisações.

Todas as decisões serão tomadas pelos clubes e independem da criação da liga. O objetivo é que sejam implementadas já em 2027.