Chefe da Comissão de Arbitragem é contra entrevistas de árbitros pós-jogo: “Eu considero um risco desnecessário”
Em Goiânia, dirigente da CBF elogiou a arbitragem goiana e avaliou riscos da exposição pós-jogo
O presidente da Comissão de Arbitragem da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Rodrigo Cintra, esteve em Goiânia nesta semana para conduzir um trabalho de direcionamento junto ao quadro de arbitragem da Federação Goiana de Futebol (FGF). Durante a visita, o dirigente participou das atividades de pré-temporada dos árbitros goianos, se reuniu com dirigentes locais e comentou o projeto piloto que prevê entrevistas de árbitros após as partidas do Campeonato Cearense.
Ao falar sobre a arbitragem goiana, Cintra fez questão de destacar a tradição e a qualidade do quadro do estado, ressaltando o trabalho de formação e renovação desenvolvido pela CBF.
“O quadro de arbitragem goiânia sempre foi muito bom, ele continua sendo muito bom, é uma das referências do Brasil e nós vemos grandes valores aqui. Tem um material humano incrível, nós estamos treinando através do Arbitragem Sem Fronteiras, da CBF, que é um evento que nós vamos até os estados e fazemos um seminário em três dias, passando aprimoramento do critério e, além do aprimoramento do critério, nós conhecemos melhor os árbitros e, com isso, nós instruímos melhor e, a partir daí, designamos melhor também”.
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Segundo o presidente da comissão, o processo de renovação do quadro também tem avançado de forma acelerada, com foco não apenas nos árbitros já consolidados, mas também nos profissionais que estão iniciando a carreira.
“O avanço na renovação também vem muito forte, então nós estamos aqui para ver não só os árbitros nacionais e internacionais, mas também os árbitros no seu nascedouro, do estado. Com isso, nós vamos conseguir fazer uma renovação, não em 15 anos, que seria o natural, mas em 3, 4 anos, respeitando os que já estão dando oportunidade nesse período”.
Cintra também comentou o projeto piloto adotado no Campeonato Cearense, que prevê entrevistas de árbitros após as partidas. O dirigente explicou que a comissão não pretende proibir a iniciativa, apesar das recomendações da FIFA, e destacou que a experiência será pontual e não aplicada em todos os jogos.
“É notório que a FIFA tem essa questão de preservar o árbitro, de ter a descrição do árbitro como um dos pontos principais para a atuação nessa área profissional. E, de fato, nós enquanto CBF, enquanto entidade nacional, nós recomendamos todos os nossos filiados, todas as federações, a ter descrição, a ter um cuidado ético, porque existe um código de ética, um código disciplinar, existe um guia da FIFA para os árbitros de futebol. Então, nós sempre passamos isso para eles e passamos também para a Federação Cearense algumas cautelas, alguns elogios que eles têm que ter. Eles foram taxativos na questão de ser um piloto apenas, uma rodada, um piloto e tal. Nós não vamos proibir, nós não vamos coibir, mas nós temos o dever legal de orientar a Federação. Então, tivemos um bom relacionamento, tivemos um bom contato com eles esses dias, para que eles não tenham nenhum problema com a própria FIFA, que a gente não tenha sanções nacionais ou mesmo estadual com isso”.
Na avaliação do dirigente, a exposição do árbitro após o jogo pode gerar mais desgaste do que benefícios, principalmente em casos de erros de arbitragem.
“O problema é que, quando a arbitragem for bem, ninguém vai querer ouvir o árbitro. Quando tiver um equívoco, aí vai ter mais gente na entrevista coletiva dele do que dos jogadores. E o equívoco está lá, está constatado. Então, não tem muito o que o árbitro justificar. A justificativa do árbitro, de uma comissão de arbitragem, é em campo. É escalando bem os árbitros, é os árbitros acertando cada vez mais, as estatísticas sendo positivas em questão de critério de aplicação de cartões. E aí, eu acho que é muito mais dentro de campo”.
Por fim, Cintra destacou que fala de forma pessoal sobre o tema, mas reforçou o respeito às tentativas de inovação no futebol brasileiro.
“Eu nunca dei entrevista depois do jogo, então, assim, eu falo hoje pela comissão de arbitragem. Eu considero um risco desnecessário, porque o árbitro é preparado para apitar o jogo. Ele não é preparado para dar entrevista, por mais que tenha um trabalho para isso, feito em uma pré-temporada ou coisa do tipo, eu considero um risco desnecessário. Mas eu respeito, respeito com todas as letras, as inovações, as tentativas, porque a gente só evolui com novas experiências, as sempre com zelo, com o pudor que a Fifa nos ensina. Porque nós temos que ser os guardiões das regras e das leis, das normas da Fifa no Brasil”.
“A gente tem que ter, porque se um árbitro fala uma palavra que, às vezes, acontece, fala uma palavra que é mal interpretada, o que pode acontecer? Piora ainda mais a situação. Então, eu acho que o campo de jogo é o local que o árbitro está preparado para estar. Ainda mais os que chegam na primeira divisão”.