PREVISÕES

Bares e restaurantes estimam alta de 20% com avanço do Brasil na Copa

Estimativa do setor é de R$ 2,42 bilhões de receita ao longo da competição

Bares e restaurantes estimam alta de 20% com avanço do Brasil na Copa
Bares e restaurantes estimam alta de 20% com avanço do Brasil na Copa (Foto: Ilustrativa/IA)

SÃO PAULO (FOLHAPRESS) – A classificação do Brasil para as oitavas de final da Copa do Mundo elevou a expectativa de faturamento de bares e restaurantes para o jogo contra a Noruega, neste domingo (5). A Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) estima crescimento médio de 20% no movimento dos estabelecimentos durante a partida.

“Os bons resultados da seleção brasileira aumentam a expectativa do público e devem ajudar a manter os estabelecimentos mais cheios em julho”, afirma Paulo Solmucci, presidente-executivo da entidade.

Fabio Bentes, economista-chefe da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), é mais um que acredita que os avanços da seleção brasileira nas fases eliminatórias devem alavancar o faturamento.

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Responsável pelo estudo, ele projetou R$ 2,42 bilhões de faturamento real entre bares e restaurantes ao longo da Copa. É um aumento de 15,7% em relação ao Mundial de 2022, quando a movimentação foi de R$ 2,09 bilhões.

Antes mesmo de a bola rolar, o setor já esperava uma Copa favorável aos negócios. Em anos de Mundial, bares e restaurantes costumam registrar crescimento médio de 5,4% nas receitas de junho e julho em relação ao mesmo período de anos sem a competição.

O otimismo com a Copa e o avanço da seleção brasileira também aparece entre os empresários do setor. Na Vila Madalena, polo de bares da capital paulista, as três casas do grupo Justino –Seu Justino Bar, Pracinha do Seu Justino e Samba do Justino– esperam receber público acima do habitual neste domingo.

Lucas Paquetá em jogo da seleção na Copa
(Foto: Rafael Ribeiro – CBF)

Segundo Júlio Souto, um dos proprietários, a procura por ingressos já supera a registrada nos jogos anteriores do Brasil. “Tem um aumento significativo em relação ao registrado em um domingo comum”, diz.

Na avaliação do empresário, a permanência da seleção na Copa ajuda a manter o interesse do público e o fluxo de clientes. “A torcida pelo hexa também é uma torcida para que os bares recebam cada vez mais pessoas”, afirma Souto.

Levantamento da TOTVS Linx, divulgado pelo Times Brasil, mostrou que o faturamento dos bares aumentou 91% durante a vitória da seleção sobre o Japão, na última segunda-feira (29), comparado aos primeiros seis meses de 2025.

Em relação a uma segunda-feira comum de maio, o avanço chegou a 143%. “O início da fase eliminatória aumenta o engajamento do torcedor e o consumo fora de casa, o que beneficia bares e restaurantes”, afirmou Bruno Primati, diretor de Food Service da TOTVS Linx.

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A estimativa de crescimento de 20% para o confronto deste domingo foi elaborada pela Abrasel com base em informações repassadas por empresários de todo o Brasil, como número de reservas, procura por mesas e interação nas redes sociais.

Antes do duelo contra a seleção japonesa, a associação já havia identificado o otimismo do setor. Um levantamento mostrou que 80% dos empresários esperavam faturamento superior em dias de jogos da seleção na comparação com dias comuns. Dentro desse grupo, 59% projetavam crescimento de até um quinto das receitas durante o torneio.

Cenário econômico do setor

O avanço da seleção ganha importância em um momento de recuperação para o setor de alimentos e bebidas. É o que mostra pesquisa da Abrasel realizada entre 22 e 30 de junho com 2.109 empresários.

No levantamento, quatro em cada dez (39%) estabelecimentos encerraram maio operando no lucro. Em proporção semelhante, 41% registraram equilíbrio financeiro, enquanto um em cada cinco (19%) fechou o mês no prejuízo.

Em abril, 36% dos bares e restaurantes lucraram, 42% mantiveram receitas estáveis e 21% tiveram queda no faturamento. “O fato de boa parte das empresas ter conseguido ampliar o faturamento mostra a capacidade de adaptação do setor em um ambiente ainda marcado por margens apertadas”, afirma Solmucci.

Apesar da melhora, a recuperação ainda esbarra na dificuldade para recompor as margens conforme a variação de preços, indica a pesquisa. Apenas 8% dos empresários conseguiram reajustar os valores acima da inflação no último ano. Outros 57% elevaram em linha ou abaixo do índice de preços, enquanto 35% não conseguiram fazer qualquer reajuste.

Ainda há a pressão sobre o caixa. Segundo o estudo, em junho, 37% das empresas tinham pagamentos em atraso. Entre elas, 75% citam débitos de tributos federais, seguidos por 44% que mencionam impostos estaduais.

Na avaliação de Solmucci, a permanência da seleção brasileira na Copa tende a manter esse impulso nas próximas semanas. “A Copa sempre muda o clima do país, e a expectativa é de que o Brasil faça uma grande campanha, chegue à final e conquiste o hexa para completar a festa”, diz.