MUDANÇAS

Ex-árbitro goiano elogiar regras para diminuir ‘cera’ na Copa: ‘proteger o espetáculo’

Além dos jogos da Copa do Mundo, as novas regras também entrarão em vigor em todas as competições nacionais e regionais

Adailton Fernando, ex-árbitro goiano e analista da CBF. Foto: Arquivo Pessoal

O ex-árbitro goiano e analista de arbitragem da Confederação Brasileira de Futebol, Adailton Fernando, comentou sobre as novas regras que serão implantadas na Copa do Mundo deste ano. Segundo ele, as novidades para o mundial tem como intenção melhorar o tempo de bola em jogo, além de coibir o comportamento antidesportivo dos atletas nas partidas. Ele também afirmou que essas implementações deixarão o jogo mais justo.

“As principais mudanças têm como objetivo aumentar o tempo efetivo de bola em jogo, melhorar a transparência das decisões da arbitragem e reduzir comportamentos antidesportivos. Destaco alguns pontos, como o combate mais rigoroso à perda deliberada de tempo, principalmente pelos goleiros, e a ampliação da transparência das decisões tomadas pelo VAR. São ajustes operacionais que buscam tornar o futebol mais dinâmico, com menos interrupções desnecessárias. A ideia central é proteger o espetáculo e garantir mais justiça esportiva”, afirmou.

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Substituição em partida de futebol. Foto: Divulgação – Fifa

Entre as novas regras, os jogadores terão 10 segundos para deixar o gramado em caso de substituição, além de um tempo limite para reiniciar a partida em situações como laterais e tiros de meta. Nos casos de lesão, atletas que receberem atendimento médico deverão permanecer um minuto fora de campo antes de retornar à partida, com exceção dos goleiros. Para Adailton Fernando, as mudanças representam um avanço importante para o futebol. No entanto, ele ressaltou que será necessário um período de adaptação.

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“Historicamente, a perda deliberada de tempo sempre foi uma das maiores reclamações do futebol. Quando existe uma consequência técnica clara para quem exagera nessa prática, a tendência é que os atletas adaptem seu comportamento rapidamente. Por outro lado, toda mudança precisa passar por um período de adaptação. Os primeiros meses serão fundamentais para que árbitros, jogadores, treinadores e dirigentes entendam exatamente os limites da regra. A tendência é que funcione, mas ajustes sempre podem ocorrer após a experiência prática das competições”, explicou.

O VAR também ganhou novas atribuições para a Copa do Mundo. A tecnologia poderá auxiliar os árbitros em situações envolvendo erros de identificação de jogadores punidos, cartões aplicados de forma equivocada e faltas de ataque ocorridas no início de jogadas que resultem em gols ou pênaltis. Sobre essas mudanças, Adailton afirmou que elas devem contribuir ainda mais para a qualidade da arbitragem.

Cabine do VAR no futebol brasileiro. Foto: Divulgação – CBF

“Quando o protocolo é bem aplicado, o VAR aumenta a justiça das decisões sem comprometer o ritmo do jogo. A transparência das decisões ajuda muito na compreensão do público e reduz questionamentos. O grande desafio continua sendo a velocidade da revisão. Se houver objetividade e boa comunicação entre árbitro e equipe de vídeo, o processo tende a ser mais eficiente, e não mais lento”, disse o ex-árbitro.

Com as mudanças aprovadas pela FIFA e pela IFAB (International Football Association Board), as novas regras já estão em vigor em competições internacionais, nacionais e regionais. Para Adailton, o principal desafio agora será a capacitação dos profissionais responsáveis por aplicar as alterações, especialmente em torneios de menor expressão e nas categorias de base.

“O maior desafio não é a regra em si, mas a capacitação. Em competições nacionais, especialmente nas Séries A e B, a implementação costuma acontecer de forma mais rápida devido à estrutura disponível. Já em competições regionais e categorias de base, o desafio é garantir treinamento uniforme para árbitros, assistentes, dirigentes, treinadores, atletas e imprensa. Toda mudança de regra exige padronização. Quando todos entendem o mesmo conceito, a aplicação se torna mais natural e eficiente”, finalizou Adailton Fernando.

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