Dos campos de terra batida ao Accioly: a história gloriosa do Atlético Goianiense
História do Atlético Goianiense começa nos campos de terra de Campinas e chega, nos dias de hoje, à luta para se manter na elite do futebol brasileiro. Conheça a trajetória de um dos times mais vitoriosos de Goiás
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O Atlético Goianiense é um time que nasceu nos campos de terra batida em Campinas na década de 1930, mais ou menos na mesma época da fundação oficial de Goiânia. Um desses campos ficava algumas quadras depois do limite sul do bairro, na avenida Maranhão (hoje Marechal Castelo Branco), perto da casa de um dono de cartório chamado Antônio Accioly.
O Atlético foi fundado em 2 de abril de 1937 e, embora tenha sido o primeiro time registrado na Federação Goiana de Futebol, não é o mais antigo de que se tem notícia no Estado.
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MacIntyre e Walter Sócrates: pioneiros do futebol em Goiás
Historiadores como João Batista Alves Filho, autor de “Arquivos do Futebol Goiano”, e Ordália Cristina Gonçalves Araújo, dona do estudo “Protestanismo no Norte Goiano”, postulam que o futebol chegou em Goiás por obra do missionário escocês Archibald MacIntyre, que veio ao Brasil em 1907 para coordenar expedições evangelizadoras. Em 1908, ele estabeleceu base na cidade de Goiás e teria ensinado noções do esporte a alguns jovens.

A expansão do futebol, no entanto, é atribuída ao intercâmbio cultural de famílias moradoras de municípios como Catalão e Itumbiara com outras de Minas Gerais. Rapazes de Goiás tinham o costume de frequentar escolas jesuítas em Uberaba e Uberlândia, onde o desenvolvimento econômico era mais acelerado. Ao mesmo tempo, no Norte de Goiás o futebol chegava por influência da Bahia, Maranhão e Pará.
Um dos personagens mais importantes no processo de difusão do esporte foi o engenheiro Walter Sócrates do Nascimento, nascido em Goiás em 23 de agosto de 1892. Walter estava em São Paulo por volta de 1905 e conheceu o futebol por intermédio de Charles Miller (a quem se atribui a proeza de ter trazido o futebol para o Brasil).
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O engenheiro voltou para Goiás no fim da década e organizou jogos em um campo forrado de cascalho com traves feitas de varas enterradas ao chão. Os times tinham apenas seis jogadores, que não usavam uniformes ou tampouco calçados apropriados.
Equipes se formavam em diversos municípios e saíam a desafiar adversários de cidades vizinhas. Há registros de jogos em Itaberaí (1917), Pirenópolis, (1924) Araguari, (1925) e Jaraguá (1926), por exemplo.
Início do futebol em Goiânia
O primeiro time de Goiânia, a nova capital, de que se tem notícia é o União Americana Esporte Clube, nascido em 28 de abril de 1936. A historiadora Ofélia Sócrates do Nascimento Monteiro relata que ele foi criado como forma de homenagear dois times da antiga capital, a Associação Atlética União Goiana e ao América Esporte Clube.
O União Americana foi fundado por pessoas que também participaram da fundação do Goiânia Esporte Clube, o que sugere que um pode ter sido o embrião do outro – embora não haja documentos que comprovem essa teoria.

Havia o costume de promover jogos entre atletas de Campinas e de Goiânia. Esse era um confronto sobre o qual pairava algum grau de rivalidade, porque enquanto Goiânia se constituía como novo centro de poder e trazia consigo o frescor da mudança e da ruptura, Campinas era uma comunidade mais fechada, homogênea, adepta de tradições centenárias.
Hotel Pouso Alto: sede da reunião de fundação do Atlético Goianiense
O Atlético foi fundado Nicanor Gordo, Edson Hermano, João de Brito Guimarães, João Batista Gonçalves, Ondomar Sarti, Benjamim Roriz e Joaquim da Veiga Jardim em uma reunião que aconteceu no salão do sobrado do Hotel Pouso Alto, na avenida 24 de Outubro, em frente à praça Joaquim Lúcio.
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De acordo com o professor e geógrafo Horieste Gomes, o escudo foi inspirado no time do São Paulo. O uniforme, originalmente constituído por uma camiseta rubro-negra com listras horizontais e calções brancos, seria uma homenagem ao Flamengo.
Antônio Accioly (1915-1973), o dono de cartório que morava perto do campo de terra batida onde uns e outros jogavam bola, foi o grande personagem dessa fase do Atlético. Ele dedicou boa parte dos recursos para contratar, abrigar e pagar o salário dos jogadores do time. Foi com a intercessão dele e Edson Hermano que o Atlético ganhou do Estado o terreno onde o estádio foi construído. Era uma área de 18 mil metros quadrados posteriormente ampliada para 30 mil metros quadrados.


Atlético Goianiense x Goiânia: rivalidade histórica
Logo depois que o Atlético foi fundado, os rivais da nova capital, Goiânia, apressaram-se para fundar um time com o nome da cidade. As duas equipes dominaram o futebol de Goiás até o fim da década de 1960 e começo de 70, quando surgiram o Vila Nova e, depois, o Goiás Esporte Clube.
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Os primeiros títulos estaduais vieram em 1944, 1947 e 1949. Na conquista do segundo título, o destaque do Dragão foi o zagueiro Washington Silva, o “Goiano”, primeiro atleta de que se tem notícia que saiu de um time local para brilhar no futebol nacional. Goiano foi contratado pelo Corinthians e fez parte do elenco que conquistou o bicampeonato paulista no início da década de 50. Até hoje é considerado um dos maiores da história do Timão.
Também nos anos 40, o Atlético revelou o jogador Pedro Tocafundo, que mais tarde jogaria no Athletico Paranaense e no Palmeiras; e o meia-esquerda Dido, que brilhou no São Paulo em 1950 e 1951, depois no Guarani e, por fim, no Spal, da Itália.


Anos 1950 e 1960: consolidação do Atlético e surgimento do Vila Nova
Nos anos 1950, o Atlético se consolida e alcança marcas importantes. Conquista os títulos de campeão goiano em 1955 e 1957 com duas campanhas invictas, torna-se o primeiro clube goiano a vencer um grande time brasileiro – o São Paulo, de Zizinho, por 1×0 no estádio Olímpico e faz sua estreia em partidas internacionais contra o Vila Rica, do Paraguai, também no Olímpico. Os grandes jogadores do Dragão na década foram Plínio, Aldo, Tonho Oscar, Epitácio e Fábio.
Na década de 60, o único título goiano vem em 1964. Em 65 e 68, disputa a Taça Brasil (que equivalia à série A do Brasileirão de hoje) e alcança a 10ª e a 6ª posições. É o período em que revela Luizinho, posteriormente transferido ao Vasco, vê o Vila Nova virar o seu principal adversário, ultrapassando o Goiânia.
Atlético, o mais querido dos goianos
Os anos 1970 começam com um titulo goiano em 70 e o primeiro título nacional da história dos times do estado: o Torneio de Integração Nacional, que hoje equivale à série B do Brasileirão e que reuniu 16 times de dez estados (incluindo Goiás e Vila). Em 1973, o Dragão vence um concurso promovido pela revista Placar para eleger o time mais querido de cada Estado. Os atleticanos até hoje gostam de usar o epíteto “o mais querido dos goianos”. Nessa década, o time teve jogadores como Baltazar (o artilheiro de Deus), Gilberto, Itamar, Bugre e Reinaldo.

1980 é um ano em que o Dragão joga o campeonato de elite do Brasileirão, que na época se chamava Taça Ouro, e tinha 44 times. O Atlético venceu times como Bahia, Grêmio e Vasco. Mas só voltaria a disputar a série A em 1986 e 1987. Foi nessa década que o time encerrou o jejum de 14 anos sem títulos. O troféu de campeão goiano saiu em 1985 e em 88. E revelou Valdeir ‘The Flash’, convocado 27 vezes para seleção brasileira, Marçal e Júlio César ‘Imperador’.
Júlio Cesar, por sinal, foi o artilheiro da série C do Brasileiro, que o Atlético conquistou em 1990. Foi o segundo título nacional do clube. Venceu ainda a Copa Goiânia de 1998. Foi uma década sem vencer o campeonato estadual.
Anos 2000: projeção nacional e internacional do Atlético Goianiense
Nos anos 2000, o Atlético forma na base o meia Dudu, que viria a ser ídolo do Palmeiras, e vive a tristeza de ser rebaixado para série B do Goianão em 2003. O retorno à série A estadual acontece no ano seguinte. Em 2007, quebra o jejum de títulos estaduais. Em 2008, o time conquista o título da série C nacional a volta à série A do Brasileiro em 2009, garantindo a sua 7ª participação na história da elite do Brasileirão.
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A década de 2010 foi movimentada: quatro títulos de campeão goiano (2010, 2011, 2014 e 2019), dois rebaixamentos para série B do Brasileirão, dois retornos à série A (2016 e 2019), um título de campeão da B e uma temporada disputando a Copa Sul-Americana. É a década em que vestem a camisa rubro-negra jogadores como Marcão, Pituca, Anselmo, Felipe, Juninho, Thiago Feltri, Jorginho, Pedro Raul, Mike, Moacir, Kozlinski, Júnior Brandão e Renato Kayzer.
Em 2021 e 2022, o Atlético fez boas campanhas na série A, mas é novamente rebaixado em 2024. Está na série B desde então. 2021 foi também o ano da campanha histórica na Sul-Americana, em que o time terminou na nona colocação.

Infográfico da História do Atlético
Infográfico histórico · 1937–2025
Uma história movida pelo povo
De Campinas para o Brasil: a trajetória do Atlético Goianiense passa pelo pioneirismo, por gerações reveladas em casa e por conquistas que transformaram o Dragão em símbolo do futebol goiano.
As raízes
Nascido em Campinas
O Atlético Clube Goianiense foi fundado em 2 de abril de 1937, no Hotel Pouso Alto. O clube nasceu ligado ao bairro de Campinas e carregou essa identidade para dentro de campo.
As cores rubro-negras foram inspiradas no Flamengo; o desenho do primeiro escudo, no São Paulo. Em torno do campo de Campinas surgiu o embrião do atual Estádio Antônio Accioly.
Identidade visual
O escudo mudou. As cores, não.
Do monograma ao Dragão contemporâneo
Ao longo das décadas, o Atlético alternou monogramas, faixas e diferentes formatos de escudo. O vermelho, o preto e o branco permaneceram como fio condutor.
Linha do tempo interativa
Cinco eras. Uma só paixão.
Abra cada capítulo para percorrer os principais acontecimentos, ano a ano. Os períodos foram organizados para facilitar a leitura em telas pequenas.
Conquistas
Marcos que mudaram o tamanho do Dragão
Primeiro de Goiás
Campeão invicto da primeira edição do Campeonato Goiano.
Pioneiro nacional
Conquista do Torneio da Integração Nacional.
Campeão da Série C
Primeiro goiano campeão de uma competição da CBF.
O renascimento
Bicampeonato da Série C com Marcão artilheiro.
Campeão da Série B
A maior taça nacional e o retorno à elite.
Talentos revelados
De Campinas para o Brasil
A formação de jogadores atravessa a história atleticana. Das primeiras gerações campineiras às campanhas nacionais, a base ajudou a renovar o clube e projetar nomes no país.
Baltazar
O “Artilheiro de Deus” marcou 31 gols no Goianão de 1978.
Valdeir “The Flash”
Chegou ao Botafogo, São Paulo, Bordeaux e à Seleção Brasileira.
Júlio César
Artilheiro da Série C com dez gols em dez partidas na campanha do título.
Adnan
Convocado para a Seleção Brasileira Sub-17 ao lado de Ronaldo.
Luciano
Revelado pelo clube antes de ganhar projeção no futebol nacional.
Luiz Fernando
Atacante formado no Dragão e posteriormente negociado com o Botafogo.
Memória em vídeo
Assista a capítulos da história rubro-negra
Origens e identidade atleticana
Homenagem aos campeões
Memórias de uma camisa histórica
O Dragão na era moderna
O próximo capítulo está em campo.
Entre acessos, quedas, reconstruções e títulos, o Atlético Goianiense manteve a mesma força: a capacidade de se reinventar sem perder as raízes em Campinas.