NA HISTÓRIA

No clima das estreias dos brasileiros na Libertadores, relembre a participação do Goiás na competição

O Esmeraldino é, até aqui, o único clube goiano a ter disputado a competição internacional

Goiás 3x1 Estudiantes
Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Nesta quarta-feira (08/04), o Mirassol se tornará o 32º clube brasileiro a disputar a Copa Libertadores da América. Além do time do interior paulista, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense e Palmeiras representam o Brasil na edição de 2026 da competição internacional. A sensação que o Leão viverá diante do Lanús, seu primeiro adversário na competição, é a mesma que foi vivida pelo Goiás há 20 anos atrás.

Em 2006, o Esmeraldino entrou para a história ao se tornar o primeiro e, até aqui, única equipe goiana a participar da Libertadores. No Campeonato Brasileiro do ano anterior, o Goiás fez uma campanha histórica e terminou na terceira colocação, com 74 pontos. A posição obtida pelo time alviverde lhe garantiu uma vaga na pré-Libertadores da temporada seguinte e um lugar na eternidade.

Ao todo, a trajetória do Esmeraldino na Libertadores de 2006 durou dez partidas, sendo distribuídas em três fases diferentes: Pré-Libertadores, fase de grupos e oitavas de final. Ao longo da campanha, o Goiás conquistou cinco vitórias, três empates e duas derrotas. O clube goiano marcou 14 gols e sofreu cinco. Com quatro bolas nas redes, o meia Romerito foi o grande artilheiro da equipe no campeonato.

Pré-Libertadores

Para chegar à fase de grupos, o Esmeraldino teve de passar pela Pré-Libertadores. Em 2006, a fase prévia do torneio internacional possuía uma formato diferente. Cada clube teria apenas um confronto, realizado em jogos de ida e volta, para tentar a classificação. No caminho do Goiás, entrou o Deportivo Cuenca, do Equador, que havia sido vice-campeão do Torneio Clausura do Campeonato Equatoriano, em 2005.

A estreia do Esmeraldino aconteceu no dia 26 de janeiro. Em solo equatoriano, o time alviverde ficou no 1 a 1 com o Deportivo Cuenca. O gol brasileiro foi marcado pelo zagueiro Rogério Corrêa. Na volta, no Serra Dourada, o Goiás derrotou os equatorianos pelo placar de 3 a 0, com gols de Jadílson, outro nome marcante da campanha, e Romerito, duas vezes. Com 4 a 1 no agregado, os goianos avançaram.

Fase de grupos

Com a classificação, o Goiás foi para o Grupo 3, que também tinha Newell’s Old Boys, da Argentina, Unión Española, do Chile, e The Strongest, da Bolívia. A campanha começou com três vitórias seguidas. O Esmeraldino iniciou a fase de grupos vencendo os chilenos, fora de casa, por 2 a 0. Danilo Portugal e Fabiano fizeram os gols do histórico triunfo alviverde.

Na sequência, o Goiás fez seu primeiro jogo como mandante na fase de grupos. Pela segunda rodada, a equipe, que era comandada pelo técnico Geninho, fez outro 2 a 0. Desta vez, contra os bolivianos. Os gols do confronto foram marcados por Nonato e Romerito. Fechando o “primeiro turno”, o Esmeraldino, novamente em casa, aplicou um 3 a 0 no time argentino, com dois de Welliton e um de Romerito.

No “segundo turno”, com os jogos “espelhados”, foram dois empates e uma derrota. A sequência teve um 0 a 0 com o Newell’s Old Boys, na Argentina, um revés de 1 a 0 para o The Strongest, na altitude de La Paz, e mais um empate sem gols, este contra o Unión Española, no Serra Dourada. Mesmo assim, o Goiás terminou na primeira colocação, com 11 pontos conquistados.

Oitavas de final

À época, a definição dos confrontos da fase mata-mata se dava de uma maneira diferente. Ele era feita a partir da ordem das campanhas dos clubes. Desta forma, o Esmeraldino, que teve a quinta melhor pontuação entre os times que passaram da fase de grupos na primeira colocação, pegou o Estudiantes, da Argentina, que havia sido o quinto pior segundo colocado.

Na partida de ida, o Goiás teve dois jogadores expulsos e acabou sendo superado pelos argentinos. 2 a 0 em La Plata. Mesmo em desvantagem, o Esmeraldino acreditou na virada e fez, no Serra Dourada, uma partida memorável. Com gols de Vitor, Nonato e Juliano, a equipe alviverde venceu o Estudiantes por 3 a 1. Porém, o critério de “gol fora de casa” deu ao time argentino a classificação às quartas de final.

Lembranças do ex-comandante

Em 2023, o Goiás reencontrou o Estudiantes. Desta vez, pela Copa Sul-Americana. Assim como aconteceu em 2006, na Libertadores, os argentinos eliminaram o Esmeraldino em pleno Estádio Serra Dourada. Desta vez, com duas vitórias argentinas. Na ida, no Estadio Jorge Luis Hirschi, em La Plata, 3 a 0 para os donos da casa. Na volta, em Goiânia, os visitantes fizeram 2 a 0 e passaram com um 5 a 0 no agregado.

À época do confronto, a ESPN entrevistou o técnico Geninho, que está sem clube desde 2022. O antigo treinador do Goiás relembrou a histórica trajetória da equipe na Libertadores de 2006. O comandante afirmou que a campanha alviverde foi uma surpresa para todos. Além disso, ele relembrou a eliminação, citando que o gol sofrido no finalzinho da partida “foi um balde de água fria” nos planos goianos.

“O Goiás surpreendeu a todos, fez uma excelente fase de grupos, eliminou equipes fortes, como o Newell’s Old Boys, que estava no nosso grupo. Enfrentar o Estudiantes em La Plata é difícil. Você jogar a Libertadores fora de casa, ainda mais contra argentinos, é complicado. O Estudiantes sempre foi uma equipe muito forte. Nós tomamos um gol no final, em um pênalti bastante controverso. O jogo estava terminando. O Souza foi expulso e logo depois veio o pênalti. Isso nos trouxe um resultado muito difícil de reverter. Mas a gente estava conseguindo, fizemos o 2 a 0 e poderíamos levar pros pênaltis. Mas tomamos o gol no finalzinho e foi um balde de água fria”, disse Geninho à ESPN.