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Aposta contra volta de Jesus Cristo rende mais do que título do Tesouro dos EUA

Escolha da opção 'Não' em site de apostas rendeu um lucro anualizado de 5,5%. Títulos públicos americanos são um dos mais seguros

Aposta contra volta de Jesus Cristo rende mais do que título do Tesouro dos EUA no Polymarket (Foto: Pixabay)
Aposta contra volta de Jesus Cristo rende mais do que título do Tesouro dos EUA no Polymarket (Foto: Pixabay)

(Folhapress) Infelizmente, Jesus Cristo não retornou à Terra em 2025. Isso pode não ser particularmente surpreendente ou digno de nota para a maioria das pessoas. Mas para um certo grupo de apostadores, foi uma notícia fantástica.

Existem inúmeras apostas aleatórias e inusitadas oferecidas no mercado de previsões Polymarket, embora poucas sejam tão curiosas quanto a “Jesus Cristo retornará em 2025?”. A aposta de US$ 3,3 milhões foi feita ao longo do ano.

A maior parte desse dinheiro, é claro, foi apostada no “Não”, mas, ao que parece, havia crentes suficientes entre os participantes do Polymarket para manter a probabilidade de retorno acima de 3% durante a maior parte do segundo trimestre.

Para aqueles que apostaram no “Não” em abril, quando as especulações sobre a segunda vinda de Jesus atingiram o auge no site, o investimento rendeu um lucro anualizado considerável de 5,5%, embora antes de impostos, segundo um cálculo. Isso é melhor do que os títulos do Tesouro dos Estados Unidos —a referência dos mercados financeiros para um investimento seguro.

A Polymarket e sua concorrente, Kalshi, têm gerado muita expectativa. Elas são frequentemente apresentadas como uma forma inovadora de fornecer probabilidades confiáveis para eventos cruciais do mundo real —como o resultado de uma eleição ou o início de uma guerra— ao vincular o poder das apostas de alto risco à sabedoria coletiva.

Mas, apesar de toda a conversa séria, não faltam contratos (sobre a arrecadação de bilheteria do suspense “Greenland 2: Migration”, a frequência dos tuítes de Elon Musk ou até mesmo Jeffrey Epstein aparecer vivo) que exploram o burburinho das redes sociais e, em muitos casos, pouco diferem de puxar a alavanca de uma máquina caça-níqueis.

A aposta em Jesus foi tema de certa discussão. Um usuário especulou se ela teria sido criada como um esquema para sonegar impostos. Outro disse: “Este é o mercado mais idiota que já vi.”

“Um mercado como esse é uma distração”, disse Melinda Roth, professora associada da Washington and Lee School of Law. “Ele também diminui o valor dos mercados de previsão reais, que fornecem insights e informações úteis.”

Um representante da Polymarket não respondeu aos pedidos de comentários.

Atribuir probabilidades terrenas a questões religiosas tem uma história ilustre. Blaise Pascal, o matemático do século 17, pioneiro no campo da probabilidade, usou os cálculos de recompensa como uma das justificativas para a crença em Deus. Isso ficou conhecido como a Aposta de Pascal.

Os cristãos aguardam há muito tempo o retorno do Messias, com seitas e adivinhos chegando ao ponto de afirmar que ele é iminente. Nos evangelhos, Jesus profetizou sobre isso, mas advertiu que nem mesmo ele sabia quando aconteceria.

O contrato não especificava muito bem como a Polymarket determinaria se Jesus havia retornado. “A fonte de resolução para este mercado será um consenso de fontes confiáveis”, dizia o texto —mas o site prontamente anunciou a vitória do grupo do “Não” em 1º de janeiro.

As apostas agora giram em torno da possibilidade de Jesus retornar até o final de 2026. No momento, os apostadores da Polymarket atribuem uma probabilidade de 2%, o que significa que o ganho em um “Sim” vencedor ultrapassa 5.700%.

John Holden, professor associado de direito empresarial e ética na Kelley School of Business da Universidade de Indiana, disse que não está surpreso que haja alguns interessados: “As pessoas compram bilhetes de loteria apesar das probabilidades astronômicas.”