ORIENTE MÉDIO

Bloqueio de internet no Irã já passa de 68 horas; pelo menos 70 morreram

Manifestantes estão nas ruas em razão da situação econômica do Irã, sobretudo por causa da alta inflação; há menores de idade entre os mortos

Bloqueio de internet no Irã já passa de 68 horas; pelo menos 70 morreram (Foto: Reprodução)
Bloqueio de internet no Irã já passa de 68 horas; pelo menos 70 morreram (Foto: Reprodução)

O bloqueio do sinal de internet no território do Irã já passa de 68 horas, de acordo com a organização de vigilância em cibersegurança Netblocks. O país está tomado por protestos desde a última quinta-feira (8), com pelos menos 70 pessoas mortas e 2 mil detidos (segundo a Anistia Internacional e a Human Rights Watch). Entre os mortos, há menores de idade e cerca de 20 membros das forças de segurança.

Os manifestantes estão nas ruas em razão da situação econômica do Irã, sobretudo por causa da alta inflação. O governo diz que há “objetivos malignos” nos protestos, e que por isso cortou a internet da população.

Um dos mortos, segundo o Centro de Direitos Humanos do Irã, é Rubina Aminian, uma estudante universitária de 23 anos que morreu baleada na cabeça depois de sair do campus da universidade e participar de protestos em Marivan, uma cidade curda no noroeste do país.

Vídeos verificados pelo jornal norte-americano The New York Times mostraram homens armados disparando armas de fogo em ruas desertas de duas cidades iranianas nos últimos dois dias, numa aparente tentativa de intimidar moradores e potenciais manifestantes.

Em um publicação feita no sábado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou: “o Irã está buscando a LIBERDADE, talvez como nunca antes. Os EUA estão prontos para ajudar”. Ele já havia dito que as forças armadas norte-americanas interviriam se o Irã matasse manifestantes. Segundo autoridades consultadas pelo NYT, Trump tem sido atualizado nos últimos dias a respeito de opções para lidar com o caso.

Embora tenham ficado mais acirrados desde a quinta-feira, os protestos tiveram início há duas semanas, tanto com marchas pacíficas, quanto com protestos violentos em vários centros urbanos do país. Nos pontos em que houve violência, a imprensa internacional reporta bloqueios de ruas com fogueiras, incêndios em prédios governamentais, bancos, ambulâncias, mesquitas e delegacias de polícia.

Na noite de sábado, dois moradores de Teerã relataram que muitos bairros estavam sem energia elétrica e que as luzes nas rodovias e principais vias estavam apagadas.