Cara ou coroa decide eleição que terminou empatada no Peru
Dois candidatos receberam exatamente 671 votos cada; legislação peruana prevê sorteio para desempatar eleições municipais
Ir direto pra matéria
Dois candidatos a prefeito de uma pequena cidade do Peru receberam exatamente a mesma quantidade de votos, e a Justiça Eleitoral precisou recorrer ao cara ou coroa para definir o vencedor. O sorteio ocorreu nesta quarta-feira (4/11), no distrito de Conima, na região de Puno, próximo à fronteira com a Bolívia. Uma moeda de um sol, unidade monetária peruana, garantiu a vitória de Rubén Quispe Capajaña, do partido Somos Perú, sobre Salomino Mamani Quispe, do País para Todos.
Os dois candidatos receberam 671 votos cada nas eleições municipais realizadas em 4 de outubro. O empate foi confirmado após a apuração de 100% das atas eleitorais pela Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE). Cada um obteve 27,739% dos votos válidos.
- Paraguai: presidente Santiago Peña renuncia ao cargo e divulga vídeo; assista
Diante do resultado, o Júri Eleitoral Especial de Huancané convocou uma sessão pública para realizar o sorteio. Representantes dos candidatos acompanharam o procedimento, supervisionado por autoridades eleitorais, policiais e um tabelião.
Antes do lançamento, a representação de Quispe escolheu o verso da moeda, denominado sello no Peru. Quando a moeda caiu com o lado escolhido para cima, o candidato do Somos Perú foi declarado vencedor.
- Entenda por que Paraguai virou destino dos sonhos de bolsonaristas que querem deixar o Brasil

“Meu objetivo sempre foi vencer. Já foi determinado pelo Senhor (Deus), agora vamos trabalhar pelo meu povo”, declarou Quispe à imprensa após o resultado.
O adversário, Salomino Mamani, contestou o método utilizado para definir a eleição. Embora tenha reconhecido que o sorteio está previsto na legislação, defendeu uma mudança nas regras para que empates sejam resolvidos por meio de uma segunda votação.
Lei do Peru permite eleição decidida no cara ou coroa
A definição por sorteio está prevista na Lei de Eleições Municipais do Peru, de número 26.864. O artigo 26 estabelece que, em caso de igualdade de votos, o resultado deve ser decidido por sorteio entre os candidatos empatados.
Para as eleições municipais de 2026, o Júri Nacional de Eleições (JNE) determinou que os desempates fossem realizados mediante o lançamento de uma moeda de um sol, com o objetivo de padronizar o procedimento.
- Destino procurado por bolsonaristas, Paraguai abre mutirão de migração
A legislação peruana não prevê segundo turno nas disputas para prefeituras. Em condições normais, vence o candidato que recebe o maior número de votos válidos, independentemente do percentual alcançado.
O recurso ao sorteio não é inédito no país. Em outubro de 2022, uma eleição municipal no distrito de Corculla, na região de Ayacucho, também foi decidida pelo lançamento de uma moeda, depois que dois concorrentes terminaram empatados com 83 votos cada.
Conima, onde ocorreu o desempate desta quarta-feira, tem aproximadamente 3,5 mil habitantes. O distrito fica próximo ao lago Titicaca, na Cordilheira dos Andes, a cerca de 3.860 metros de altitude.