ESTADOS UNIDOS

Caso Epstein: Trump demite secretária de Justiça dos EUA

Pam Bondi demonstrou fidelidade ao republicano e chamava Donald Trump de 'maior presidente da história'

Caso Epstein: Trump demite secretária de Justiça dos EUA (Foto: Instagram/Pam Bondi)
Caso Epstein: Trump demite secretária de Justiça dos EUA (Foto: Instagram/Pam Bondi)

(Folhapress) O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, demitiu a secretária de Justiça, Pam Bondi, nesta quinta-feira (2). A informação partiu de uma série de relatos de autoridades da Casa Branca à imprensa americana e foi confirmada pelo republicano em sua plataforma, a Truth Social. Ela será substituida interinamente por Todd Blanche, número dois do Departamento de Justiça.

“Pam fez um trabalho tremendo supervisionando uma repressão massiva ao crime em todo o nosso país […]. Amamos Pam, e ela fará a transição para um novo emprego muito necessário e importante no setor privado, a ser anunciado no futuro próximo”, escreveu Trump sobre Bondi, a quem chamou de “grande patriota americana e uma amiga leal”.

A queda de Bondi já era uma possibilidade ventilada há semanas. Esta demissão marca a segunda saída de uma mulher no gabinete de Trump —a primeira foi a ex-secretária Kristi Noem, que liderava o Departamento de Segurança Interna e foi demitida após crises no ICE e por envolver Trump em uma campanha publicitária da sua pasta que custou US$ 200 milhões.

Agora, de acordo com o jornal The New York Times, o presidente teria demonstrado insatisfação com a atuação de Bondi na condução do caso Epstein, que se tornou crise política para o republicano.

Bondi acumula polêmicas na liberação dos arquivos relacionados a Jeffrey Epstein, criminoso sexual morto em 2019. Ela foi criticada pelo atraso na divulgação dos papéis e por reter documentos com menções a Trump.

Pam Bondi ao lado do presidente Trump (Foto: Instagram)

De acordo com o jornal americano, a má condução se tornou um problema político para Trump e seus aliados, uma vez que, em campanha, ele prometeu transparência sobre o caso, que envolve o abusador e tratava-se de uma questão importante para a base Maga (acrônimo para Make America Great Again, ou Faça a América Grande Novamente”).

Em uma polêmica entrevista publicada pela revista Vanity Fair no ano passado, a chefe de gabinete de Trump, Susie Wiles, já demonstrava que a atuação de Bondi não era bem avaliada na Casa Branca. “Ela fez uma burrada e não percebeu que a base [de Trump] ligava muito para essa história”, disse Wiles, em referência ao caso Epstein.

Trump e Epstein (Foto: Reprodução)
Trump e Epstein (Foto: Reprodução)

Em setembro do ano passado, Trump já tinha dado sinais de insatisfação pela atuação do Departamento de Justiça por, segundo ele, não agir com firmeza contra seus adversários políticos, como o ex-diretor do FBI James Comey, o parlamentar democrata Adam Schiff e a procuradora-geral de Nova York, Letitia James.

À frente do Departamento de Justiça —pasta que, por tradição, mantém certa independência em relação ao Executivo e mistura funções desempenhadas pelo Ministério da Justiça e o Ministério Público Federal no Brasil—, a secretária não poupou elogios a Trump durante seu mandato. Chamou o republicano de “melhor presidente da história” e, em audiência no Congresso marcada por discussões acaloradas com parlamentares, reagiu a críticas: “Você fica aqui atacando o presidente, e eu não vou aceitar isso. Não vou tolerar.”