Doze mortos e dezenas de desaparecidos em naufrágio de rohingyas em Bangladesh
O naufrágio ocorreu no domingo (8) na Baía de Bengala, perto da foz do rio Naf, que separa Mianmar e Bangladesh.
Pelo menos 12 pessoas morreram e dezenas continuavam desaparecidas após o naufrágio de uma embarcação que transportava membros da comunidade rohingya fugindo de Mianmar, em uma nova tragédia nessa crise que levou mais de meio milhão de refugiados a Bangladesh em seis semanas.
“O mar estava muito agitado. Acreditamos que eles perderam o controle do barco”, explicou à AFP Rony Mitra, bombeiro que patrulha com seus homens as praias de Shah Por Dwip, em busca de corpos.
O naufrágio ocorreu no domingo (8) na Baía de Bengala, perto da foz do rio Naf, que separa Mianmar e Bangladesh.
Há semanas, os rohingyas desafiam um mar agitado para escapar da violência em Mianmar.
A Guarda Costeira bengali vigia o estuário do Naf. Na margem oposta, do lado birmanês, há pontos coloridos. É um acampamento de rohingyas, onde membros dessa minoria muçulmana aguardam para tentar atravessar para Bangladesh.
“O mar está agitado hoje. Não sabemos para onde os corpos vão ser levados”, diz Rony Mitra.
Por enquanto, os socorristas não sabem sequer quantas pessoas estavam a bordo no momento do naufrágio: as estimativas variam entre 60 e 100, de acordo com sobreviventes, que mencionam um grande número de crianças.
“Conversamos com vários sobreviventes. Um deles relatou que o barco estava transportando entre 80 e 100 pessoas, incluindo 30 ou 35 homens”, declarou Abdul Jalil, um funcionário da Guarda Costeira de Bangladesh. O bombeiro Rony Mitra fala de cerca de 60 pessoas.
Nesta segunda-feira (9) de manhã, foram encontrados um total de doze corpos: “dez crianças, uma senhora e um homem”, segundo a Guarda Costeira, que resgatou vários sobreviventes.
De acordo com as autoridades de Bangladesh, vários passageiros conseguiram chegar à costa birmanesa, perto do local onde o naufrágio ocorreu.
A ONU considera que as Forças Armadas de Mianmar estão conduzindo uma limpeza étnica contra a minoria muçulmana.
Acusado de incendiar suas casas para incitar a fuga dos rohingyas, o Exército birmanês atribui a responsabilidade aos muçulmanos. As autoridades birmanesas proíbem o acesso de organismos internacionais às áreas em conflito.
Diante das críticas, Mianmar denuncia um posicionamento imparcial e favorável da comunidade internacional em relação aos rohingyas. A prêmio Novel da Paz Aung San Suu Kyi é quem dirige de fato o primeiro governo civil do país, após décadas de regime militar.