Fim da era Orbán: oposição vence eleições na Hungria após 16 anos
Orbán reconheceu a vitória adversária e afirmou que já havia telefonado ao rival para cumprimentá-lo
O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, admitiu a derrota nas eleições legislativas deste domingo (12) e encerrou um ciclo de 16 anos à frente do governo da Hungria. Com cerca de 45% das urnas apuradas, o Conselho Nacional Eleitoral projetava o partido Tisza, de centro-direita e liderado por Péter Magyar, com 135 das 199 cadeiras do Parlamento, volume suficiente para alcançar a maioria qualificada de dois terços, necessária para alterar a Constituição.
Em pronunciamento a apoiadores do Fidesz, Orbán reconheceu a vitória adversária e afirmou que já havia telefonado ao rival para cumprimentá-lo. “O resultado das eleições é doloroso para nós, mas compreensível. Parabenizei o Partido Tisza”, disse. O premiê prometeu atuar a partir da oposição e agradeceu aos 2,5 milhões de eleitores que mantiveram apoio ao seu partido. A votação registrou participação recorde, com comparecimento próximo de 78% do eleitorado, segundo dados oficiais divulgados ao longo do dia.
Aos 45 anos, Magyar foi integrante do Fidesz até romper com Orbán em 2024, após denúncias envolvendo um caso de perdão presidencial em esquema de abuso infantil que abalou o governo. Deputado do Parlamento Europeu pelo Partido Popular Europeu, ele construiu a campanha em torno de temas domésticos, como a estagnação econômica, o custo de vida, o sucateamento da saúde pública e denúncias de corrupção nas redes empresariais próximas ao poder. Também defendeu reaproximação com Bruxelas e o desbloqueio de fundos europeus retidos por divergências sobre Estado de direito.
A derrota representa revés ao movimento conservador internacional que tinha em Orbán uma de suas principais referências na Europa, ao lado de aliados como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do russo Vladimir Putin. Na semana que antecedeu a votação, o vice-presidente americano, JD Vance, esteve em Budapeste em demonstração pública de apoio ao premiê húngaro. Nos últimos anos, Orbán havia se notabilizado por travar sanções europeias contra Moscou e por resistir ao auxílio militar e financeiro do bloco à Ucrânia.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reagiu nas redes sociais afirmando que “a Hungria escolheu a Europa”. O chanceler alemão, Friedrich Merz, e o presidente francês, Emmanuel Macron, também cumprimentaram Magyar pelo resultado. Nas ruas de Budapeste, apoiadores do Tisza se concentraram às margens do Danúbio para celebrar.
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