Cárcere privado

Menino de 9 anos é resgatado após mais de 1 ano preso em van na França

Garoto não tomava banho desde 2024

Homem dirige van branca na estrada
Menino foi mantido preso pelo próprio pai porque não era aceito por madrasta (Foto ilustrativa: Freepik)

Um menino de 9 anos foi resgatado após passar mais de um ano preso dentro de uma van na França. O pai dele foi preso. A criança foi encontrada na última segunda-feira (7), nua e desnutrida, segundo o Ministério Público local. O resgate ocorreu em Hagenbach, pequena localidade no nordeste do país, depois que uma moradora ouviu “barulhos de criança” vindos de um veículo estacionado em um pátio residencial.

Após destravarem a van, agentes encontraram o menino deitado em posição fetal, nu, coberto por uma manta, sobre lixo e próximo a excrementos, informou o promotor de Mulhouse, Nicolas Heitz.

Rejeitado por madrasta

De acordo com o Ministério Público, a criança estava pálida, visivelmente desnutrida e já não conseguia andar, devido ao longo período em posição sentada. Ela foi levada imediatamente a um hospital em Mulhouse.

Em depoimento, o menino afirmou que a companheira do pai não o aceitava no apartamento e queria que ele fosse internado em uma instituição psiquiátrica. Segundo o relato, o pai o manteve no veículo para evitar a internação.

Sem banho desde 2024

O menino não tomava banho desde o fim de 2024, mantinha uma trouxa de roupas e era obrigado a urinar em garrafas plásticas e fazer as necessidades em sacos de lixo.

Investigação

O pai, de 43 anos, foi indiciado e está em prisão preventiva. Ele vivia com a companheira, de 37 anos, e duas meninas — uma filha dele e outra dela, de 10 e 12 anos.

O homem reconheceu que manteve o filho trancado e privado de cuidados desde novembro de 2024, alegando que queria protegê-lo da mulher.

Preso na van

A criança frequentou a escola até o ano letivo de 2023-2024, em Mulhouse. Depois disso, a instituição encerrou o acompanhamento após a família informar que ele passaria a estudar de outra forma. Vizinhos relataram que o menino “desapareceu de um dia para o outro”.

O suspeito afirmou ainda que deixou o menino sair da van em maio de 2025 e permitiu acesso ao apartamento em meados daquele ano, quando a família estava de férias.

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Companheira também é investigada

A companheira do homem, que não é mãe da criança, também é investigada e pode responder por não denunciar maus-tratos, privação ou agressão sexual, segundo o Ministério Público.

Ela nega as acusações e afirma que não sabia que o menino era mantido no veículo.

O promotor informou ainda que não há elementos médicos que indiquem problemas psiquiátricos na criança.

As autoridades assumiram provisoriamente a guarda dos três menores, enquanto o caso segue sob investigação.