MP da Suíça pede prisão de dono de bar que pegou fogo
Para o MP, circunstâncias de vida do empresário Jacques Moretti e da esposa, Jessica, sugerem que eles podem fugir da Suíça
O Ministério Público da Suíça pediu à Justiça a prisão preventiva do dono do bar Le Constellation, que pegou fogo na noite de Ano-Novo. Em razão do incêndio, 40 pessoas morreram e 116 ficaram feridas. O bar fica na estação de esqui Crans-Montana.
O empresário se chama Jacques Moretti. Além de coproprietário, ele é gerente do estabelecimento e está sendo tratado como principal suspeito pelo que aconteceu. Jacques e a esposa foram ouvidos pelo MP em Sion por mais de seis horas nesta sexta-feira, mesmo dia em que as vítimas foram homenageadas em várias cidades do país.
“Uma nova análise do risco de fuga foi realizada de maneira detalhada durante a audiência. Com base nisso, o Ministério Público decidiu solicitar ao Tribunal de Medidas Coercitivas a prisão preventiva do gerente”, informou o MP em comunicado. “Considerando as declarações dele, o histórico de vida e a situação na Suíça e no exterior, o MP estimou que o risco de fuga era concreto”.
Moretti é dono de pelo menos três estabelecimentos comerciais na região e foi condenado por um caso de proxenetismo em 2008. Há pelo menos uma semana, parentes das vítimas solicitavam a prisão do empresário e criticavam a forma com que o processo estava sendo conduzido pelas autoridades policiais da região, que permitiram com que ele circulasse em liberdade.
O MP pediu também a prisão da esposa de Jacques, Jéssica Moretti, porque “dado seu histórico e seus vínculos pessoais (…), uma solicitação de medidas alternativas permitiria compensar o risco de fuga”.
“Meus pensamentos vão constantemente às vítimas e às pessoas que hoje lutam por suas vidas”, disse Jessica em depoimento ao MP antes de o pedido de prisão ser anunciado. “Foi uma tragédia inimaginável. Jamais, jamais poderíamos ter imaginado isso. Isso aconteceu em nosso estabelecimento e eu quero pedir desculpas”.
O Tribunal de Medidas Coercitivas deve dizer se acata ou não o pedido do MP em 48 horas.