Sexta-feira, 24 de Julho de 2026
ORIENTE MÉDIO

ONU rejeita tentativa de Israel de controla da ajuda humanitária em Gaza

Território palestino, descrito como 'campo de extermínio' pelo secretário da ONU, não recebe suprimentos desde 2 de março

Por - Goiânia, GO
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Assembleia-geral da ONU (Foto: Divulgação)

(Folhapress) O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, rejeitou nesta terça-feira (8) uma nova proposta israelense para gerenciar as entregas de ajuda humanitária em Gaza e disse que isso poderia fazer Tel Aviv “controlar ainda mais e limitar cruelmente a ajuda até a última caloria e grão de farinha”.

“Deixem-me ser claro: não participaremos de nenhum acordo que não respeite totalmente os princípios humanitários: humanidade, imparcialidade, independência e neutralidade”, disse Guterres em entrevista coletiva.

Nenhum mantimento externo é entregue a Gaza —que tem cerca de 2,1 milhões de habitantes— desde 2 de março. Israel disse que não permitiria a entrada de todos os bens e suprimentos até que os terroristas do Hamas libertassem todos os reféns restantes.

A Cogat, agência militar israelense que coordena a ajuda, se reuniu na semana passada com agências da ONU e grupos internacionais de assistência humanitária e disse que propôs “um mecanismo estruturado de monitoramento e entrada de ajuda” para Gaza.

“O mecanismo foi criado para dar suporte a organizações de ajuda, melhorar a supervisão e a responsabilização e garantir que a assistência chegue à população civil necessitada, em vez de ser desviada e roubada pelo Hamas”, publicou a Cogat no X no último domingo (6).

Jonathan Whittall, funcionário de alto escalão de assistência da ONU para Gaza e Cisjordânia, disse na semana passada que não havia evidências de desvio de ajuda.

No mês passado, Israel retomou seu bombardeio a Gaza após uma trégua de dois meses e enviou tropas de volta ao território. “Gaza é um campo de extermínio —e os civis estão em um ciclo de morte sem fim”, disse Guterres ao pedir novamente a libertação imediata e incondicional de todos os reféns, um cessar-fogo permanente e acesso humanitário total em Gaza.

“Com os pontos de passagem para Gaza fechados e a ajuda bloqueada, a segurança está em frangalhos e nossa capacidade de entrega foi estrangulada”, afirmou. “Como potência ocupante, Israel tem obrigações inequívocas sob o direito internacional —incluindo o direito internacional humanitário e os direitos humanos.”

Na prática, segundo ele, isso significa que Israel deve facilitar programas de ajuda e garantir alimentação, assistência médica, higiene e padrões de saúde pública em Gaza. “Nada disso está acontecendo hoje”, disse ele. Israel afirma que não exerce controle efetivo sobre Gaza e, portanto, não é uma potência ocupante.

A guerra começou em 7 de outubro de 2023, quando terroristas do Hamas mataram 1.200 pessoas no sul de Israel e fizeram cerca de 250 reféns, de acordo com contagens israelenses. Desde então, a ofensiva de Israel em resposta matou mais de 50.000 palestinos, de acordo com autoridades de saúde de Gaza.

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