Trump diz que Canadá só ‘vive graças aos EUA’ e que país ‘deveria ser grato’
Trump também reiterou sua ambição pelo controle da Groenlândia, mas descartou 'usar a força'
(O Globo) Agora, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se voltou para o Canadá. Durante seu esperado discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, nesta quarta-feira, Trump, que já sugeriu transformar o Canadá no 51º estado dos EUA, afirmou que o país só “existe graças aos EUA” e que deveria ser “grato” por isso. Declaração ocorre um dia depois do contundente discurso do primeiro-ministro canadense, Mark Carney, pautado no apelo pela união de potências médias, que, segundo o premier, devem “agir” após a “ruptura” da ordem global.
— O Canadá recebe muitas regalias da gente. [O país] vive graças aos Estados Unidos. Lembre-se disso, Mark, da próxima vez que fizer suas declarações — disse o presidente americano, acrescentando que o premier canadense “não era tão grato assim”.
Em meio a tensão com a Europa e com a Otan, a aliança militar liderada por Washington, Trump reiterou sua ambição pelo controle da Groenlândia, mas descartou o “uso da força”. Ao insistir na anexação da ilha, o presidente afirmou que “isso não representaria uma ameaça à Otan”.
— Isso aumentaria muito a segurança de toda a aliança. Os Estados Unidos são tratados de forma muito injusta pela Otan — afirmou. — Nunca pedimos nada e nunca recebemos nada.
Sobre a Venezuela, o presidente reiterou que está recebendo cooperação de autoridades venezuelanas após a deposição do líder chavista Nicolás Maduro e previu bons tempos para a economia do país sul-americano.
— Todas as grandes companhias petrolíferas estão entrando no negócio conosco. É incrível — disse.
Além disso, o presidente americano revelou que — após o ataque na Venezuela, vista, segundo ele, como um sinal de poder dos EUA — as autoridades em Caracas pediram um acordo.
— Assim que acabamos o ataque [na Venezuela], disseram: “Vamos fazer um acordo”. Mais gente tinha que fazer isso — disse.
Ambição pela Groenlândia
Durante seu discurso, o republicano disse ter “enorme respeito tanto pelo povo da Groenlândia quanto pelo povo da Dinamarca”, mas acrescentou que “todo aliado da Otan tem a obrigação de ser capaz de defender seu próprio território”, indicando que “nenhuma nação ou grupo de nações está em condições de garantir a segurança da Groenlândia, a não ser os Estados Unidos”.
As ameaças de Trump de assumir o controle da Groenlândia, um território autônomo que faz parte do reino da Dinamarca, geraram preocupação entre líderes globais de que tal expansão territorial poderia significar o fim da aliança da Otan. Trump defende que uma tomada americana da Groenlândia não representaria uma ameaça, afirmando que “isso aumentaria a segurança de toda a aliança”. O presidente disse, então, que não fará o que muitos líderes temem: usar a força para obter a Groenlândia. Ele insistiu que se trata de “um pedido muito pequeno”, comparado ao que os EUA têm dado à Otan por décadas.
— Provavelmente não conseguiremos nada, a menos que eu decida usar força e poder excessivos, onde seríamos, francamente, imparáveis. Mas eu não farei isso. Essa é provavelmente a declaração mais importante, porque as pessoas achavam que eu usaria força. Eu não preciso usar força. Não quero usar força. Não vou usar força. Tudo o que os Estados Unidos estão pedindo é um lugar chamado Groenlândia — disse Trump. — Essa enorme ilha desprotegida faz parte, na verdade, da América do Norte. Esse é o nosso território.