Trump diz ter cancelado segundo ataque à Venezuela
Trump afirma que decisão da presidente Delcy Rodríguez de libertar presos políticos foi vista como sinal de cooperação da Venezuela com os EUA
Em uma publicação feita na rede Truth Social, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse ter cancelado uma segunda onda de ataques militares contra a Venezuela. A decisão foi tomada depois que o governo da presidente Delcy Rodríguez libertou presos políticos, gesto que foi interpretado como manifestação de boa vontade para cooperar com os EUA.
“Os EUA e a Venezuela estão trabalhando bem juntos […] Por causa dessa cooperação, cancelei a segunda onda de ataques que estava prevista, parece que não será mais preciso”, disse o presidente norte-americano na Truth Social. Trump chamou a medida tomada por Rodríguez de “sinais de busca pela paz”.
O primeiro e único ataque realizado pelos Estados Unidos contra a Venezuela até o momento aconteceram na madrugada do dia 3 de janeiro. O ditador Nicolás Maduro e a primeira-dama Cilia Flores foram presos e levados por uma embarcação para Nova York. O casal foi levado a um tribunal de Justiça e se declarou inocente. Maduro afirmou ainda que se considera um “prisioneiro de guerra”.

Posição do Brasil
Desde o início do atual mandato de Lula o Brasil tem sustentado, de forma reiterada, que a libertação de presos por motivação política é condição essencial para qualquer processo de redução de tensões internas na Venezuela e para a normalização de suas relações com países vizinhos e com a comunidade internacional.
Integrantes do Itamaraty relatam que, ao longo desse período, o governo Lula tem buscado convencer o Palácio de Miraflores de que gestos dessa natureza são fundamentais para criar um ambiente mínimo de confiança política.
Os apelos se intensificaram em meados de 2024, quando Nicolás Maduro foi declarado presidente eleito da Venezuela, embora jamais tenha apresentado provas de sua vitória.
Essa posição foi defendida pelo Brasil em contatos bilaterais, em reuniões multilaterais e em iniciativas de mediação, “nas quais o país procurou se apresentar como um interlocutor disposto ao diálogo, sem abrir mão da defesa de princípios como direitos humanos, convivência pacífica e estabilidade regional”, resumiu um graduado embaixador.
O anúncio da libertação foi feito por Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional, no dia 8 de janeiro, em Caracas. Segundo ele, a decisão foi tomada “em prol da convivência pacífica” e de forma unilateral pelo governo bolivariano, sem negociação com outras partes. Rodríguez afirmou ainda que os processos de libertação “estão ocorrendo desde este preciso momento”.