TRAGÉDIA

Veja quantas mortes já foram confirmadas após terremoto na Venezuela

De acordo com imprensa local, esperança de encontrar sobreviventes do terremoto que assombrou Venezuela diminuiu

Veja quantas mortes já foram confirmadas após terremoto na Venezuela (Foto: Reprodução)
Veja quantas mortes já foram confirmadas após terremoto na Venezuela (Foto: Reprodução)

(Folhapress) A esperança de encontrar sobreviventes em meio aos escombros na Venezuela diminui pouco a pouco, dizem membros das equipes de resgate na linha de frente das operações neste que é o quarto dia após os fortes terremotos que atingiram a costa do país caribenho.

“Nossa prioridade segue sendo encontrar o máximo de pessoas vivas, mas neste sábado já era claro que só encontraríamos cadáveres”, diz à reportagem a venezuelana Andy, que lidera a logística do grupo mexicano Topos Aztecas, enviado para ajuda.

O grupo trabalhou em Caracas até aqui e agora se aproxima do epicentro da crise, a cidade costeira de La Guaira, atrás do majestoso El Ávila, região montanhosa que é orgulho dos caraquenhos.

Em três dias de trabalhos de resgate no histórico edifício Petúnia, que desabou, a equipe resgatou oito corpos. Calcula-se que ao menos outros seis estejam ali. O único encontrado vivo foi um cachorrinho. “Agora já sabemos que a chance de encontrar vivos é de 1%, e então nós apegamos a esse 1%”, diz David Villa, outro membro do grupo.

“Ainda assim, para nós é igualmente importante resgatar os corpos, para que as famílias tenham dignidade e possam estar com seus entes queridos”, prossegue Andy, que se dirige a La Guaira em meio à chuva na região, um fator que pode complicar o trabalho de buscas.

Segundo o último balanço divulgado pelo regime de Delcy Rodríguez, há ao menos 1.450 mortos e mais de 3.200 feridos (número anterior informado pelo ministro da Saúde falava em pelo menos 4.300 feridos). Além disso, mais de 3.000 famílias estão desalojadas, e o número de desaparecidos ultrapassa os 50 mil segundo estimativa da ONU.

Após as 72 horas iniciais que eram críticas para encontrar sobreviventes, a ajuda humanitária também tem se reestruturado. A dificuldade é compreender as diferentes necessidades em diferentes regiões.

Como no Brasil, venezuelanos usam muito o WhatsApp. Nas mensagens instantâneas, são divulgados os itens que voluntários mapeam como prioritários: entre tantas outras coisas, algumas das necessidades imediatas são colírio, porque há muitas cinzas e fumaça em meio aos destroços, e máscaras faciais, por segurança e porque o odor de corpos em decomposição é pungente.

Coordenadora de comunicação das ONGs Alimenta la Solidaridad e MiConvive, Claudia Astor explica que há dez anos as organizações se dedicam a ajudar os comedores, os locais que oferecem alimentação à população de baixa renda. Agora destinaram todos os seus esforços para a tragédia de La Guaira, como os terremotos têm sido chamados.

A ONU calcula que há mais de 6,7 milhões de afetados em toda a Venezuela, de alguma maneira, pelo desastre natural. O trabalho de ajuda é sem fim.

Mas a logística também é complicada. Acessar La Guaira está cada vez mais difícil. Para não prejudicar as buscas e o translado humanitário, o regime proibiu o acesso à área para quem não tem o chamado salvo-conduto.

É difícil encontrar um venezuelano em Caracas que não conheça ao menos uma vítima da tragédia. Ou um desaparecido, que com a esperança que aos poucos se esvai de encontrar sobreviventes já começa a ser considerado mais uma potencial morte.

Caracas, no entanto, ainda opera de forma funcional. Não há relatos de desabastecimento. As regiões mais afetadas, nas quais caíram prédios e onde há estruturas comprometidas, são de classe média alta, como Altamira e Los Palos. Há forte presença policial. Nos postos de gasolina, avisos mostram as fotos de desaparecidos e deixam informações para contato; outros disponibilizam linhas para contato de informações e redes de hospitais.

Cada vez mais voluntários e membros da enorme diáspora venezuelana chegam ao país, ainda que em uma logística altamente complicada. Com o colapso do aeroporto central, na Grande Caracas, os três principais aeroportos de acesso estão em zonas mais afastadas: Maracaibo, antigo coração petroleiro; Valência, antigo coração industrial; e Barcelona, a seis horas por terra de Caracas. Os voos estão lotados de venezuelanos do exílio que querem estar com a família neste momento e ajudar ao país.

A lembrança já está no aviso sonoro da aeronave que parte do Panamá com destino a Barcelona: “Aos que viajam para estar com seus entes queridos. Aos que viajam para reconstruir e resgatar. Desejamos a vocês força. Há coisas que não podem ser destruídas, como a força de um povo. Força ao grande povo da Venezuela.”