Análise: Marconi cai para quarto após aceno a Flávio e campanha com pouca estrutura
Ex-governador fica atrás de Luís César Bueno, que soma 322.490 votos; tucano disputou o retorno com menos aliados e tempo de televisão
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Marconi Perillo (PSDB) caiu para a quarta posição na disputa pelo governo de Goiás após uma campanha com pouca estrutura partidária e dificuldade para reunir a oposição. Na parcial da apuração, o tucano aparece atrás de Luís César Bueno (PT), que soma 322.490 votos, equivalentes a 9,75% dos votos válidos.
Na reta final, Marconi sinalizou apoio a Flávio Bolsonaro durante um debate. O gesto pode ter afastado eleitores de Lula que viam no tucano uma alternativa ao governo estadual e favorecido Luís César, que apostou no voto conjunto com o presidente. A dimensão dessa transferência ainda depende de dados sobre o comportamento do eleitorado.
O aceno ao candidato do PL acrescentou uma dificuldade à campanha: buscar votos entre bolsonaristas sem perder o apoio de lulistas contrários à candidatura de Daniel Vilela (MDB).
Marconi tentou voltar ao governo em condições diferentes das que marcaram suas quatro vitórias para o cargo. Desta vez, o conhecimento do eleitor sobre sua trajetória não veio acompanhado do mesmo apoio de prefeitos, das alianças partidárias e do tempo de televisão.
O ex-governador tinha um nome conhecido em todo o estado e realizações para apresentar. Precisava convencer o eleitor a trocar a continuidade, representada por Daniel, pelo retorno de um político que já havia comandado Goiás por quatro mandatos.
A diferença de estrutura apareceu nos municípios. Daniel contou com a maior parte dos prefeitos e com partidos que, em outras eleições, estiveram ao lado de Marconi. O tucano disputou o retorno com antigos aliados trabalhando pela permanência do MDB no governo.
O pouco tempo de televisão limitou o espaço para responder às críticas, defender os governos anteriores e apresentar propostas. Marconi precisava explicar por que deveria voltar ao cargo, mas dispunha de menos oportunidades para repetir essa mensagem durante a campanha.
As viagens pelo interior e a presença nas redes sociais foram as alternativas para ampliar o contato com o eleitor. Permitiram reencontrar apoiadores, mas não compensaram a perda de aliados com atuação nos municípios.
Marconi também não conseguiu reunir a oposição. Wilder Morais (PL) disputou parte dos votos de quem queria derrotar Daniel. Além de enfrentar o governador, o tucano precisava convencer esse eleitorado de que tinha mais condições de vencer.
A quarta posição, atrás também do candidato petista, expõe a perda de força de quem comandou uma ampla aliança em Goiás. O nome conhecido e o histórico administrativo não foram suficientes para recompor a base. Uma nova tentativa de voltar ao poder dependerá da reconstrução do apoio que antes lhe garantia presença nos municípios.