COLUNA DO JOÃO BOSCO BITTENCOURT

Apoio do PL pode antecipar definição da disputa pelo governo de Goiás no primeiro turno

Aliança com o caiadismo amplia base eleitoral, pressiona adversários e cria cenário de vitória sem segundo turno

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Bolsonaro definirá rumo do PL em Goiás (foto Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O avanço das conversas entre o Partido Liberal e o grupo do governador Ronaldo Caiado redesenha o tabuleiro eleitoral em Goiás. A eventual adesão do PL à candidatura do vice-governador Daniel Vilela tem peso suficiente para encurtar a disputa e abrir caminho para uma definição já no primeiro turno. O cálculo é simples: a soma da máquina governista com o eleitorado bolsonarista cria uma frente ampla, difícil de ser superada pelos adversários.

Levantamento recente do Instituto Goiás Pesquisas, publicados no Mais Goiás, ajuda a explicar esse cenário. A pesquisa aponta aprovação elevada da gestão estadual e indica que o eleitorado conservador segue numeroso e mobilizado. Separados, esses campos já são competitivos; juntos, tornam-se majoritários em boa parte do estado, sobretudo no interior, onde a influência do governo e do PL é mais capilarizada.

Nesse arranjo, Daniel Vilela aparece como beneficiário direto. Além de fortalecer a candidatura ao Palácio das Esmeraldas, a aliança ampliaria as chances do grupo eleger os dois senadores na mesma chapa. O efeito cascata atingiria também as chapas proporcionais, com impacto na composição da bancada federal e estadual.

O principal obstáculo, hoje, é a resistência do senador Wilder Morais, que vê na aproximação com o caiadismo riscos ao espaço do PL no estado. Ainda assim, aliados avaliam que esse impasse é mais tático do que definitivo. Uma orientação direta de Flávio Bolsonaro ou do próprio Jair Bolsonaro tende a destravar o acordo, sobretudo se a leitura nacional for de que a aliança em Goiás fortalece o projeto do partido no país.