CONSEQUÊNCIAS

Áudio de Flávio Bolsonaro a Vorcaro provoca tensão entre evangélicos e pode favorecer Caiado; entenda

Lideranças reagem com cautela, sem perder de vista o ex-governador de Goiás que pode se tornar uma alternativa mais estável para 2026

Ex-governador de Goiás e presidenciável, Ronaldo Caiado
Caiado soa como opção segura caso o desgaste do senador se amplie (Foto: Secom Goiás)

O vazamento do áudio envolvendo o presidenciável Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro gerou forte repercussão em uma ala influente do segmento evangélico. O episódio ampliou dúvidas que já vinham sendo alimentadas de forma reservada por lideranças religiosas e abriu espaço para a consolidação de um movimento interno em defesa do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), como alternativa ao Planalto.

De acordo com reportagem do jornal Folha de S. Paulo, Caiado pode ser um dos principais beneficiados político da crise. Em um grupo de WhatsApp, onde estão reunidas importantes lideranças do meio evangélico do país, a repercussão dos fatos envolvendo o nome do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro foi marcada por cautela. Mas não só. Enquanto uma ala dos pastores defende que o melhor seria aguardar o desenrolar da história e, consequentemente, o esclarecimento dos fatos, outra sustenta a necessidade de buscar um outro caminho, um projeto menos exposto a desgastes.

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Em um desses grupos de WhatsApp, o Aliança, estão nomes influentes do segmento como, por exemplo, Silas Malafaia, Renê Terra Nova, Estevam Hernandes, Robson Rodovalho e Abner Ferreira, todos com alta influência não apenas no meio meio religioso, mas também no meio político.

O incômodo após o ocorrido com Flávio Bolsonaro, segundo a reportagem, não se limita ao pedido de recursos financeiros, ponto que ainda é tratado como passível de esclarecimento, mas principalmente à suposta falta de transparência. Acontece que, até então, Flávio sustentava que não havia mantido contato com Vorcaro, discurso que foi desmontado com o vazamento do áudio.

O episódio acendeu desconfianças, especialmente diante das incertezas sobre a movimentação de valores que, segundo a reportagem, poderiam chegar a R$ 134 milhões, dos quais parte já teria sido repassada para financiamento de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

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Como se não bastasse, a produtora responsável pelo longa “Dark Horse” negou ter recebido recursos do ex-banqueiro. À Folha, a sócia-administradora da empresa afirmou que o projeto conta apenas com investimentos estrangeiros e sem qualquer vínculo com Vorcaro ou empresas associadas.

O temor entre as lideranças evangélicas é que o caso provoque fissuras em um campo político que busca unidade para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição em 2026. Nesse contexto, a postura adotada por Caiado foi observada com atenção após a divulgação inicial do caso pelo The Intercept Brasil.

Enquanto o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), classificou o contato como “inadmissível”, Caiado adotou tom mais moderado. Defendeu que Flávio precisa “se explicar”, mas ressaltou a importância de preservar a unidade do campo da direita. A estratégia é vista por aliados como tentativa de evitar ruptura com o eleitorado bolsonarista e, ao mesmo tempo, se apresentar como opção segura caso o desgaste do senador se amplie.

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