Segunda-feira, 05 de Outubro de 2026
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Bancada feminina bate recorde e é mais de esquerda que total da Câmara

Deputadas chegam a 109; parlamentares de esquerda são 43% contra 24% geral da Casa

Por - Goiânia, GO
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Bancada feminina bate recorde e é mais de esquerda que total da Câmara Deputadas chegam a 109; parlamentares de esquerda

Via Folha de São Paulo – A bancada feminina na Câmara dos Deputados cresceu nas eleições deste domingo (4), mas as mulheres seguem minoria absoluta entre os parlamentares. Foram 109 eleitas para as 513 cadeiras da Casa, em comparação às 90 de 2022. Com isso, elas passarão a representar 21,2% dos deputados federais a partir de 2027 —na posse da última legislatura, somavam 17,5%.

O crescimento de 21,1%, com 18 deputadas a mais, faz da próxima legislatura a recordista em mulheres na história da Câmara. Apesar disso, o número ainda está muito abaixo da proporção de mulheres na população brasileira, que é de 51,5% segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Ao contrário do Senado, em que as mulheres de direita puxaram a alta de 80%, passando de dez senadoras no início de 2023 para 18 que devem ocupar cargos no próximo ano, as deputadas da Câmara estão mais à esquerda que o total da Casa.

Entre as deputadas que assumirão no ano que vem, 52 são de direita. A esquerda conquistou 47 cadeiras e outras 10 serão ocupadas por deputadas de centro.

Assim, proporcionalmente, a bancada feminina será 48% de direita, 43% de esquerda e 9% ao centro. A divisão mostra estabilidade partidária em relação às eleições anteriores, com leve encolhimento do centro. Em 2022, a proporção de deputadas à direita foi a mesma; as de esquerda eram 41% e as de centro, 11%.

Isso significa que a bancada feminina é significativamente mais à esquerda que a composição total da Câmara, onde 59,1% dos parlamentares estão à direita, 24,2% à esquerda e 16,8% ao centro.

A discrepância fica ainda maior quando se consideram apenas os homens. Segundo dados do TSE, dos 404 homens eleitos, 62% são de partidos de direita e 19% de esquerda. A parcela de centro é também de 19%.

Para classificar os partidos, a reportagem considerou o GPS Partidário 2026, análise que situa as siglas brasileiras da esquerda à direita a partir da vida prática da política, não do que cada legenda declara ser.

À esquerda, o PT lidera as eleitas femininas com 25 nomes. O PSOL, que teve a deputada Erika Hilton conquistando o recorde de mulher mais votada da história, elegeu outras oito contando a parlamentar. A lista segue com PC do B (7 mulheres), PSB (5) e PV (2). PDT e Rede não elegeram deputadas.

Ao todo, o centro conseguiu eleger 10 mulheres, sendo cinco do MDB e outras cinco do PSD. Avante e Solidariedade não conquistaram cadeiras.

À direita, o PL foi líder em deputadas eleitas, com 22, seguido pelo União Brasil, com 8. Podemos elegeu 7 candidatas, PP, 6 e Republicanos, 5. O Novo elegeu outras duas, e o PSDB e o PRD elegeram uma cada. O Missão não elegeu deputadas.

No Senado, a eleição de parlamentares de direita contribuiu para a expansão da bancada feminina, que passou a ser 80% maior do que aquela que começou a legislatura anterior, em 2023. No domingo (4), foram eleitas 12 senadoras, recorde de participação feminina na Casa, que irão atuar, com outras seis mulheres que já estão no cargo, chegando a 22,2% do total de cadeiras.

A nova composição da Câmara dos Deputados mostra que a votação se concentrou em partidos de direita. Entre os partidos do campo progressista, só o PT teve eleição expressiva de deputados federais.

O PL elegeu a maior bancada, com 121 deputados federais. Trata-se da sigla do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, que terminou o primeiro turno da eleição à frente do presidente Lula (PT), com 47% dos votos ante 45% do petista.

O PT, partido do presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva, é o segundo partido com mais deputados federais eleitos: 70. Em seguida, aparece o União Brasil, com 46. O PSD é o seguinte, com 43 eleitos, seguido por PP e Republicanos, com 41 cada.

O MDB elegeu 36 deputados, enquanto o Podemos teve 27. Em seguida, com mais eleitos, aparecem PSB (Partido Socialista Brasileiro), com 15; PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), com 14; PCdoB (Partido Comunista do Brasil) e PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), com 11 cada; e Novo, com 10.

Completam as 513 cadeiras o PV, com 7 eleitos; PDT, com 6; Avante e PRD, com 5 cada; Solidariedade, com 2; e Rede e Missão, com 1 cada.

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