INVESTIGAÇÃO

Bancada ruralista aumenta pressão por CPI após novas ações do MST

Ao mesmo tempo, deputados da base do governo entram em campo para barrar o avanço de uma possível investigação

Bancada ruralista aumenta pressão por CPI após novas ações do MST
Bancada ruralista aumenta pressão por CPI após novas ações do MST

Uma das principais forças do Congresso, a bancada ruralista pressiona o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), pela abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST). Ao mesmo tempo, deputados da base do governo e representantes do movimento entraram em campo para barrar o avanço de uma possível investigação.

Para a base governista, uma CPI neste momento poderia atrapalhar o andamento de projetos considerados primordiais para o Executivo, como o arcabouço fiscal, a reforma tributária e a análise de medidas provisória, como a da reestruturação da Esplanada dos Ministérios.

A pressão dos ruralistas cresceu após as últimas ações do MST. Na segunda-feira, 10, trabalhadores rurais vinculados a diferentes movimentos sociais ocuparam a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Maceió, capital de Alagoas.

Os manifestantes pediam a exoneração de Wilson César de Lira Santos — primo do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira — do posto de superintendente regional do órgão.

O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado Pedro Lupion (PP-PR), foi um dos que procurou Lira para pedir a abertura do colegiado.

—Cada ato falho e bobagens e barbaridades que o MST apronta nos dá mais motivo e justificativas. Estão tentando uma saída política para isso, mas sem novidades por enquanto. No que depender de nós, queremos que seja instalada— disse Lupion ao GLOBO.

A abertura da CPI depende apenas de uma decisão de Lira. No mês passado, deputados a favor da investigação conseguiram as 171 assinaturas necessárias para protocolar o pedido na Câmara.

Entre os autores do pedido está o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles (PL-SP).

—Está pronta para instalar, agora só depende do juízo político de conveniência e oportunidade do presidente Lira — afirmou ele.

Para Kim Kataguiri (União-SP), que também assina o pedido, a CPI é necessária até para evitar novas ações do MST.

—Essa CPI é urgente. As invasões não só continuam, como há ameaças de novas — disse.

O líder do PT na Câmara, Zeca Dirceu (PT-PR), diz que a base está contra a abertura de qualquer investigação parlamentar sem fato determinado, assim como o partido se opõe à criação de uma CPMI (mista, com senadores e deputados) para apurar a invasão do Congresso em 8 de janeiro. Zeca disse que tem conversado com Lira que está “ouvindo e refletindo”, mas que ele pede o fim das ações.

—Nós confiamos de que o presidente Artur lira não vai colocar está CPI não há motivo— disse o deputado João Daniel (PT-SE), um dos representantes do MST no Congresso.

A pressão para abertura da CPI acontece ao mesmo tempo em que os movimentos ligados à reforma agrária pleiteiam a indicação de José Ubiratan Resende Santana, servidor de carreira do Incra lotado em Alagoas, para o cargo de César de Lira.

O Ministério do Desenvolvimento Agrário, por sua vez, alega que as nomeações para as superintendências regionais do Incra, bem como em outros postos estratégicos, estão sendo conduzidas pela Casa Civil e pela Secretaria de Relações Institucionais.