Deputados do PT acionam órgãos federais para suspender caminhada em apoio a Bolsonaro
Organizador do ato, Nikolas Ferreira diz que houve comunicação às autoridades e cita "mudança de humor" de petistas
Os deputados federais Lindbergh Farias (PT-RJ) e Rogério Correia (PT-MG) protocolaram na quarta-feira (21) um pedido para suspender a “Caminhada pela Justiça e Liberdade”, organizada pelo também deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O ato começou na segunda-feira (19) e os petistas argumentam que a peregrinação pela BR-040, de Paracatu (MG) a Brasília, coloca em risco a vida das pessoas.
“Está sendo realizada sem qualquer comunicação prévia às autoridades competentes. Eles podem se manifestar onde quiserem, mas não podem colocar em risco a vida das pessoas. Façam essa mobilização onde quiserem, mas não desse jeito, sem autorização e colocando vidas em perigo”, disse o deputado Lindbergh Farias.
Os petistas afirmam, ainda, que “enquanto esse tipo de sensacionalismo tenta chamar atenção, o governo e o Congresso estão concentrados em pautas reais do povo brasileiro, como a isenção do Imposto de Renda, o fim da escala 6×1 e a garantia de direitos para trabalhadores de aplicativos”. A demanda também pede a extração de cópias para a Polícia Federal, PGR, Anac (devido aos indícios de pouso de helicópteros nas margens da rodovia), Dnit e ANTT e solicita medidas administrativas urgentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para suspender, restringir ou redirecionar a caminhada.
Eles citam normas do Código de Trânsito Brasileiro e da legislação de aviação civil. Os congressistas alegam que o uso indevido do acostamento, invasão da pista de rolamento e até indícios de pouso de helicópteros nas margens da rodovia expõem motoristas e passageiros a risco real de acidentes.
Em nota, a assessoria de Nikolas Ferreira disse que houve comunicação às autoridades no primeiro dia do evento. “É curioso observar a mudança de humor do deputado Lindbergh Farias. Na terça-feira, a caminhada para ele era motivo de deboche: ‘Marcha esvaziada’. Agora, subitamente, virou caso de urgência nacional que mereceria intervenção da PRF.”
O deputado bolsonarista ainda afirmou que “a caminhada é constitucional, legal e absolutamente pacífica. Foi comunicada às autoridades desde o primeiro dia e não tem, nem terá, qualquer tolerância com vandalismo, depredação ou desordem”. Para ele, tentar suspender o ato por divergência política “não é zelo institucional, é afronta à democracia e violação direta da Constituição. O que incomoda, ao que parece, não é o risco que ele alega ter, mas sim o movimento gigantesco que criamos”.
Resistência democrática
Assim que começou a caminhada, Nikolas disse que o ato é por resistência democrática. “Terminei uma agenda em Minas. Confesso para vocês, ia voltar para casa. Mas, durante muito tempo, meu coração tem ficado inquieto diante das coisas que estão acontecendo. Escândalo atrás de escândalo. O brasileiro tem ficado em uma posição, quase uma manipulação psicológica, onde nada abala mais a gente. O sentimento é de impotência, diante das prisões injustas de manifestantes do dia 8 de janeiro, do próprio presidente Bolsonaro, em relação aos escândalos, do governo e do STF.”
O ex-presidente Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado e crimes relacionados em setembro do ano passado. Em novembro, ele começou o cumprimento da pena na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília. No último dia 15 de janeiro, contudo, ele foi transferido para a Papudinha, também na capital federal.
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