No DF, Celina promete destravar parceria com Goiás para baratear ônibus no Entorno
Governadora afirma que discutiu criação de consórcio com Daniel Vilela; proposta prevê subsídios para diminuir tarifas e melhorar a frota
Ir direto pra matéria
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou que pretende criar, em 2027, um consórcio com Goiás para administrar o transporte coletivo entre Brasília e os municípios goianos do Entorno. A proposta, discutida com o governador eleito de Goiás, Daniel Vilela (MDB), prevê subsídios públicos para reduzir o preço das passagens de ônibus. Ainda não há valor definido para as novas tarifas.
A declaração foi feita durante sabatina ao Metrópoles, na sexta-feira (23). Candidata à reeleição, Celina disse que os dois governos decidiram avançar na criação do consórcio sem esperar pela participação financeira da União.
- Quaest no DF: Celina lidera com 61% dos votos válidos; Grass tem 39%
“Acho que isso deve acontecer para o ano que vem porque você precisa ter uma previsão orçamentária”, afirmou.
Segundo a governadora, as conversas com Daniel Vilela ocorreram ainda durante o primeiro turno das eleições. A proposta inicial previa a participação dos governos federal, distrital e goiano, mas o entendimento anunciado agora é que Goiás e Distrito Federal assumam a iniciativa.
- De Goiânia ao Palácio do Buriti: a trajetória de Celina Leão até o favoritismo no DF
Celina afirmou que o custo das passagens prejudica moradores do Entorno que trabalham em Brasília. Ela citou situações em que o valor gasto com o deslocamento dificulta a contratação de trabalhadores.
“Hoje a pessoa perde um emprego aqui por causa do preço de passagem”, declarou.
- Ana Maria Braga pede a mulheres que não aceitem interferência do marido ao votar
Além da redução tarifária, a governadora defende a renovação da frota e a integração dos sistemas de transporte das duas unidades da Federação.
Consórcio é discutido desde 2023
A criação de uma administração compartilhada para o transporte do Entorno é discutida pelos governos de Goiás e do Distrito Federal desde 2023.
Atualmente, as linhas semiurbanas que ligam municípios goianos à capital federal são reguladas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
- Com trajetória em Goiás, Thiago Peixoto assume a Educação do DF; conheça o currículo
Em fevereiro de 2025, os governos chegaram a um acordo político para participar do financiamento do sistema. Na ocasião, Daniel Vilela, então governador em exercício, reuniu-se com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e prefeitos da região.
A proposta previa que os dois governos contribuíssem com recursos para subsidiar as tarifas. O modelo seria semelhante ao utilizado no transporte coletivo da Região Metropolitana de Goiânia.
A implantação, porém, não avançou como previsto.
- Confeiteira cria bolos de Lula e Flávio Bolsonaro para comemorar resultado das eleições
Entre os obstáculos está a transferência de responsabilidades jurídicas e financeiras da atual gestão federal para o eventual consórcio. Os governos de Goiás e do Distrito Federal divergem das condições discutidas com a ANTT, especialmente quanto à responsabilidade por obrigações acumuladas antes da transferência.
Em 2026, as negociações passaram a considerar um consórcio formado inicialmente apenas pelos dois governos, sem condicionar sua criação à entrada da União.
Passagem chega a R$ 12,35 no Entorno
O preço das viagens entre Goiás e o Distrito Federal é uma das principais reclamações dos moradores que dependem dos ônibus para trabalhar e estudar em Brasília.
Em algumas linhas que atendem municípios como Luziânia, Valparaíso de Goiás e Águas Lindas, a tarifa chega a R$ 12,35, conforme levantamento publicado pelo Mais Goiás neste mês.
Para quem utiliza o transporte diariamente, com viagens de ida e volta, o gasto pode ultrapassar R$ 500 por mês.
A ANTT autorizou reajustes nas tarifas do transporte semiurbano em fevereiro deste ano. Em junho, a agência também anunciou a entrada em vigor de novos valores em serviços operados pela Taguatur.
A redução prometida por Celina Leão ainda depende da formalização do consórcio, da definição dos recursos que serão destinados aos subsídios e dos procedimentos necessários à transferência da gestão.
Não foram anunciados o valor da futura passagem, a data de início da operação compartilhada nem o montante que cada governo deverá repassar ao sistema.