Em resposta à violência doméstica, estado amplia procuradorias da mulher no interior
Número de unidades quase dobrou em um ano e chega a 73 municípios. Expansão ocorre em meio a alta dos casos de violência e feminicídios
O número de Procuradorias da Mulher instaladas no interior de Goiás praticamente dobrou nos últimos 12 meses. Nesse período, 33 novas unidades foram implantadas em municípios goianos, elevando o total de procuradorias de 40 para 73 em todo o estado.
A expansão ocorre em um contexto de aumento dos casos de violência contra mulheres no Brasil e em Goiás. As procuradorias funcionam em câmaras municipais, assembleias legislativas e também na Câmara dos Deputados, em Brasília, atuando como espaços de acolhimento, orientação e encaminhamento de mulheres que enfrentam situações de violência ou discriminação.
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Além do atendimento às vítimas, as unidades atuam na formulação e fiscalização de políticas públicas voltadas às mulheres. Entre suas atribuições estão o recebimento de denúncias, o encaminhamento de casos aos órgãos competentes, e o acompanhamento da execução de programas relacionados à igualdade de gênero.No campo da conscientização, elas promovem campanhas educativas, palestras, seminários visando a prevenção da violência e ao fortalecimento da participação feminina na política.
Modelo estruturante
Em Goiás, a primeira Procuradoria da Mulher foi instalada em 2023, na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego). Desde então, o órgão tem funcionado também como uma espécie de alicerce para edificação de novos núcleos em cidades do interior goiano.
“Cada Procuradoria que inauguramos significa mais voz para mulheres que precisam ser ouvidas, mais acolhimento e orientação. Tenho muito orgulho de ter contribuído para ampliar esse trabalho em Goiás defendendo as mulheres, combatendo a violência e incentivando cada vez mais a participação feminina nos espaços de poder”, afirmou ao Mais Goiás a deputada Dra. Zeli (PSD). Ela se despede da função rotativa de procuradora da mulher na Alego, cargo que passa a ser ocupado pela deputada Vivian Naves (PP).

Em paralelo à expansão das procuradorias, o estado também tem buscado mecanismos para coibir os casos de violência. Na última quinta-feira (4/6), o governador Daniel Vilela sancionou a medida que garante que acusados e condenados pela prática de violência doméstica em Goiás paguem pelo uso das tornozeleiras eletrônicas.
“O preço da tornozeleira eletrônica não vai mais cair no bolso da população. O metido a valentão que teve coragem de atentar contra a mulher vai ter que pagar a própria conta”, afirmou o governador ao justificar a nova lei.

Goiás em números
Essa ações ocorrem juntamente a uma série de outras medidas adotadas pelo poder público na tentativa de frear os altos índices de violência contra a mulher em território goiano. Ao longo de 2025, mais de 55 mil mulheres foram vítimas de violência doméstica no estado. No mesmo período, Goiás registrou mais de 26 mil medidas protetivas.
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Outro levantamento, realizado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e divulgado em março deste ano, apontou que 316 mulheres foram vítimas de feminicídio ou tentativa de feminicídio em Goiás de janeiro a dezembro do ano passado. O número representa um aumento de 19 casos em relação a 2024 e acompanha uma tendência nacional de crescimento. Em todo o país, foram registradas 6.904 ocorrências de feminicídio e tentativas de feminicídio, o maior total desde o início da pesquisa.
A taxa goiana também passou de 8 para 8,5 ocorrências por 100 mil mulheres em um ano. Embora o crescimento tenha sido inferior à média nacional, o índice continua sendo considerado elevado.

Nos casos consumados de feminicídio, Goiás também apresenta números preocupantes. Apenas em 2025, o estado registrou 60 mulheres assassinadas por atuais ou ex-companheiros. A maioria dos crimes foi cometida com o uso de arma de fogo.
O desafio continua
Os primeiros meses de 2026 indicam que o cenário permanece preocupante. Em um único fim de semana do mês de abril, Goiás registrou dois casos de feminicídio. Na época, o número de ocorrências já havia ultrapassado a marca de 25 casos.
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A situação acompanha uma tendência nacional. Dados do Ministério da Justiça mostram que uma mulher foi vítima de feminicídio no Brasil a cada 5 horas e 25 minutos durante o primeiro trimestre de 2026. Entre janeiro e março deste ano, o país contabilizou 399 vítimas, tornando o primeiro trimestre de 2026 o mais letal para as mulheres desde o início da série histórica, em 2015.
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