Levantamentos

GO: Número de pesquisas de intenção de voto é 370% maior do que registrado em 2022

Levantamentos registrados nos primeiros meses de 2026 superam com folga os números de 2018 e 2022

Imagem mostra eleitor na hora do voto
Ao comparar 2018 com 2026, o crescimento chega a 840% (Foto: Paulo Pinto/ABr)

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já contabiliza em sua base de dados quase 50 pesquisas de intenção de voto registradas em Goiás nos últimos quatro meses. O total chega a 47 levantamentos, sendo o primeiro do ano protocolado em 13 de janeiro. O número representa um crescimento de 370% em relação ao mesmo período em 2022.

Nas eleições de 2022, a primeira pesquisa registrada no sistema do TSE foi em 21 de janeiro. Até 6 de maio daquele ano, apenas 10 institutos tinham protocolado pesquisas com intenção de voto.

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A diferença é ainda mais expressiva quando a comparação é feita com a eleição majoritária anterior à disputa de 2022. Em 2018, no mesmo intervalo, foram registradas apenas 5 pesquisas, ou seja, metade do total contabilizado quatro anos depois. Ao comparar 2018 com 2026, o crescimento chega a 840%.

Os números demonstram que a coleta de informações relacionadas à intenção de voto se tornou ao longo dos anos ainda mais relevante do que sempre foi. O termômetro do eleitorado traduzido em números é tido como crucial não apenas para os políticos, mas também para as empresas. Acontece que as pesquisas passaram a ser utilizadas não apenas como tentativa de antecipar o resultado das urnas, mas também como instrumento de decisão e avaliação de riscos futuros.

Por trás dos números

O aumento do interesse pelas pesquisas pode estar associado a pelo menos três fatores, na avaliação do professor e cientista político Marcos Marinho. “O primeiro passa pelo avanço tecnológico. Isso facilitou ao longo dos anos o processo de realização de pesquisas como essas. Hoje temos plataformas, sistemas, que otimizam e agilizam os processos. A partir do momento em que temos uma facilidade maior para se fazer pesquisa, isso tira algumas travas que antes eram consideradas”.

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O segundo ponto, segundo ele, está relacionado à necessidade de informação “cada vez mais em tempo real”. “A dinâmica dos processos comunicacionais mudou bastante em função das plataformas de comunicação. A mudança no humor do eleitor está cada vez mais dinâmica e nesse contexto poder aferir isso com mais imediatismo auxilia no processo de planejamento das ações. Se consigo monitorar de maneira mais constante e com mais precisão, consigo também calibrar mais rapidamente a campanha e suas estratégias”.

Professor e cientista político Marcos Marinho acredita que crescimento está associado a pelo menos três fatores (Foto: Arquivo Pessoal)

Por fim, ele destaca o elemento midiático. “A imprensa ganha visibilidade, likes e cliques com essas pesquisas, que são realmente de interesse dos eleitores e da sociedade como um todo. Isso, especialmente, nesse contexto político onde de 2018 para cá a polarização entre Lula e Bolsonaro chamou atenção e ocupou o debate. Ou seja, divulgar essas pesquisas também é de interessa à imprensa e isso tudo vira um grande ciclo”.

Segundo o professor, também pesa o fato de que a contratação de pesquisas hoje é mais acessível do que há alguns anos. “Isso torna o processo mais dinâmico, mais rápido, menos reflexivo, mas capaz de mobilizar e engajar mais pessoas ao mesmo tempo”, pontuou.