Governo Lula mapeia traições em votação sobre Messias, vê rasteira do MDB e prevê exonerações
Presidente Lula reuniu ministros para discutir estratégia após Senado ter rejeitado Jorge Messias como indicado ao STF
(Folhapress) Além da atuação de Alcolumbre, colaboradores do presidente apontam a participação do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) e do ministro Alexandre de Moraes, do STF, em um “conluio”, nas palavras de um deles, para impedir a nomeação de Messias.
Articuladores do governo relatam que o acordo entre o grupo de Moraes e Alcolumbre teria sido selado durante um jantar na noite de terça-feira (28), na residência oficial do presidente do Senado, com o intuito de evitar nova correlação de forças na corte.
Após a publicação da reportagem, Moraes enviou nota para dizer que não participou do jantar e que, naquela noite, estava em casa com um grupo de pessoas, entre eles, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o ex-ministro Ricardo Lewandowski, em uma homenagem ao ex-secretário nacional de segurança pública, Mário Sarrubo.

Ao manifestar simpatia pela adoção de um código de ética no tribunal, como deseja o presidente do STF, Edson Fachin, Messias teria contrariado o grupo de ministros crítico à iniciativa.
Pacheco era o escolhido de Alcolumbre para pleitear a vaga no Supremo, enquanto Lula reiterava a intenção de ter o senador como seu candidato ao Governo de Minas Gerais, em busca de um palanque forte no estado. Lula acabou por indicar Messias após conversas com os envolvidos, mas ainda a contragosto do chefe do Senado.
Entre aliados de Lula, suspeitas recaem sobre o ex-ministro dos Transportes Renan Filho e seu pai, o senador Renan Calheiros, ambos do MDB de Alagoas. A desconfiança é que teriam votado contra a indicação de Messias em solidariedade a Bruno Dantas, ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) que cobiçava a vaga do tribunal.
Aliados do presidente apostam na exoneração de indicados de Alcolumbre, como os ministros Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional) e Frederico Siqueira (Comunicações). Segundo participantes da reunião, Lula mostrava serenidade, enquanto buscava confortar Messias.