Investigados por lavagem com bets, Willer e Flávio dividem endereços, voos e parceiros comerciais
Amigo de Flávio mantém negócios com outros senadores e é investigado em operação contra fraude no INSS
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Via Folha de Sã oPaulo – No centro de uma investigação da Polícia Federal por lavagem de dinheiro com bets, o candidato à presidência pelo Partido Liberal (PL), Flávio Bolsonaro, e o advogado Willer Tomaz dividem diversos endereços, voos e parceiros comerciais, segundo documentos.
Após aparecerem as primeiras suspeitas de uma sociedade indireta entre Willer e Flávio, os dois reiteraram que os laços entre suas famílias eram apenas de amizade. Negaram também irregularidades.
Em cerca de 20 anos, Willer passou de dono de uma loja de computador em Taguatinga, cidade-satélite do Distrito Federal, em 1999, para um empreendedor em série, com empresas de radiodifusão, escritório especializado em precatórios, mineração, turismo, apostas online e sociedades com senadores, como Dr. Hiran (PP-RR) e Lobão Filho (MDB-MA).

A operação Sem Desconto, contra fraudes no INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social), investiga repasses do advogado para o senador Weverton Rocha (PDT-MA) —ambos negam as denúncias. Pessoas com trânsito nos fóruns de Brasília dizem, sob condição de anonimato, que Willer é agnóstico em questão partidária.
A aproximação entre Flávio e o advogado teve início em 2019, quando Willer defendeu o ex-ministro do turismo de Jair Bolsonaro, Marcelo Álvaro Antônio, em uma denúncia por uso de candidaturas laranjas. Na CPI da Covid em 2021, aparece a primeira gravação em que Flávio chama o advogado de amigo.
MANSÃO EM ILHA COMPRIDA
Em 27 de julho de 2020, Flávio Bolsonaro visitou pela primeira vez uma ilha que, desde 2022, tem seus direitos de posse cedidos à WT Administração, uma empresa de gestão de ativos imobiliários de Willer.
O imóvel, avaliado em R$ 10 milhões, está no centro de uma disputa judicial entre Willer e o jogador Richarlison, na qual Flávio Bolsonaro é testemunha. O atleta afirma que comprou o imóvel em 2020, antes de o endereço entrar no alvo de investidas jurídicas de Tomaz.
No meio de uma confusão burocrática sobre a validade da posse de Renato Pinto Cunha, que vendeu a propriedade a uma companhia de Richarlison, em 2022, o então secretário do Patrimônio da União, coronel Paulo da Silva Medeiros, cedeu a posse da mansão para Willer no mesmo dia em que ele protocolou uma certidão de autorização para transferência.

Em 13 de maio de 2022, uma liminar consolidou o entendimento que o direito de uso do espaço era de Willer. Vizinhos do local e o jogador Richarlison, entretanto, afirmam que é Flávio quem mais frequenta o local.
No último dia 17, o jogador Richarlison e um grupo de advogados pediram que a Polícia Federal investigue o envolvimento do senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela posse de uma propriedade de luxo em Angra dos Reis (RJ). Segundo o atleta, o imóvel foi tomado “na mão grande” por meio de manobras judiciais.
O senador Flávio Bolsonaro negou qualquer atuação irregular, afirmando manter apenas relação de amizade com Willer Tomaz. Já o empresário sustentou que adquiriu legalmente os direitos sobre o terreno e desembolsou R$ 5 milhões para regularizar pendências fiscais do imóvel, classificando os antigos ocupantes como invasores. Leia a íntegra!