Lula usou celular de bilionário goiano para falar com Trump e destravar visita à Casa Branca
Sem celular próprio, petista usou aparelho do empresário no Alvorada para destravar agenda com Casa Branca
Antes do encontro entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos, Lula (PT) e Donald Trump, na quinta-feira (7), o petista utilizou o celular do empresário bilionário goiano Joesley Batista. Os brasileiros se encontraram no Palácio da Alvorada antes da viagem do chefe do Executivo aos EUA.
Possivelmente um dos homens mais ricos do Brasil, Joesley nasceu em Formosa e tem 53 anos. É casado com a ex-apresentadora de telejornais da Rede Bandeirantes Ticiana Villas Boas. Tanto Joesley quanto o irmão Wesley são responsáveis por internacionalizar a empresa familiar JBS — criada em Goiás por José Batista Sobrinho, pai deles e do mais velho, Junior, também empresário.
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Quanto à visita do empresário a Lula, o presidente teria dito, conforme apurado pela CNN Brasil, da dificuldade do governo brasileiro em conseguir um horário na agenda do presidente dos Estados Unidos. Desde dezembro, uma reunião estava prometida, mas a data, inicialmente em março, foi alterada devido à guerra do Oriente Médio. Joesley, então, perguntou se poderia ligar para Trump naquele momento, o que foi autorizado. O norte-americano atendeu no terceiro toque, conforme narrado.

A conversa em tom descontraído foi suficiente para o presidente dos EUA liberar a agenda. Ao fim da ligação, o americano disse um “I love you” a Lula. O brasileiro, vale lembrar, é conhecido por não ter um celular próprio e ser resistente ao aparelho. O Palácio do Planalto e o Itamaraty não se manifestaram quando procurados, uma vez que a ligação não estava nas agendas dos chefes de Estado.
O Mais Goiás procurou a assessoria do empresário e aguarda retorno. Esta matéria poderá ser atualizada.
Influente
Em setembro, Joesley esteve com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para ajudar o presidente Lula (PT) a negociar o tarifaço e, em dezembro, com o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, para tratar sobre uma renúncia pacífica. A tentativa de negociar a saída do ditador não aconteceu como desejado e, no começo de janeiro, os EUA atacaram regiões da Venezuela e capturaram Maduro. Ele foi levado, com a esposa, para Nova York para ser julgado por narcoterrorismo.
A influência de Joesley também impacta políticos brasileiros. Em 2017, após ser investigado em diversas operações, assinou um acordo de delação premiada e, por conta própria, gravou conversa com o então presidente Michel Temer (MDB) fora da agenda. Do encontro saiu a frase “tem de manter isso aí, viu”, do emedebista, após o empresário dizer que pagaria pelo silêncio de Eduardo Cunha, o ex-presidente da Câmara dos Deputados.
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Cunha, que liderou o impeachment de Dilma Rousseff (PT) no ano anterior, foi preso na Lava Jato. O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu inquérito contra Temer por corrupção passiva, obstrução à justiça e organização criminosa, mas o Congresso o livrou da deposição após alguns meses.
No mesmo período, Joesley também gravou o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), derrotado por pouco na eleição presidencial de 2014 e com expectativa de vitória em 2018. O mineiro pedia 550 mil euros (R$ 2 milhões à época) ao empresário para advogados no caso da Lava Jato. O tucano não se reergueu após o escândalo, assim como o PSDB, que abriu espaço para a eleição de Jair Bolsonaro em 2018.

Ele chegou a ser preso por seis meses, entre 2017 e 2018. Solto em março, ficou mais três dias preso naquele ano. Desde então, passou a atuar mais discretamente e conseguiu se tornar próximo de Trump, enquanto seus negócios cresciam.
Resultado da internacionalização da JBS, a empresa J&F, hoje, é dona das marcas Swift, Seara ou Friboi (processamento de carne bovina), Pic Pay e Banco Original (setor financeiro), Âmbar (segmento energético), Canal Rural (comunicação), Eldorado (gigante do papel e celulose), Flora (setor de limpeza e cosméticos) e da LHG (extração de minérios).
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