MDB completa 60 anos às vésperas de voltar ao poder com Daniel Vilela
MDB volta a ocupar o Palácio das Esmeraldas quase 30 anos depois do fim do mandato de Maguito, pai do futuro governador Daniel Vilela
O Movimento Democrático Brasileiro (MDB) completa 60 anos de fundação em 24 de março de 2026, a poucos dias de voltar ao poder em Goiás, com o vice-governador Daniel Vilela. A última vez em que um político do MDB ocupou o cargo de forma efetiva foi no período entre 1995 e abril de 1998. O governador era Maguito Vilela, pai de Daniel, e depois da renúncia dele para concorrer ao Senado a função foi exercida por um curto período de tempo por Naphtali Alves e Helenês Cândido.
Aos 42 anos, Daniel será o chefe de poder Executivo mais jovem filiado ao MDB – mais até do que Helder Barbalho, do Pará (46 anos). Será protagonista em um partido que deu os primeiros passos na luta pela redemocratização do Brasil, manteve-se fiel ao DNA pragmático ao longo de décadas e perdeu o posto de legenda com maior número de prefeitos para o PSD, de Gilberto Kassab e de Ronaldo Caiado.
O MDB hoje tem 114,5 mil filiados em Goiás, o que representa quase 40% de todo o universo de pessoas que pertencem a partidos políticos no Estado. É disparado a agremiação com maior número de militantes, bem à frente do PSDB (66,1 mil), União Brasil (54,5 mil), PT (47,6 mil) e PRD (45,1 mil).

Na Assembleia Legislativa, tem uma bancada formada por Amilton Filho, Charles Bento, Issy Quinan, Lineu Olímpio, Lucas Calil e Lucas do Vale. Na Câmara, o MDB de Goiás é representado pelos deputados federais Célio Silveira e Marussa Boldrin.
Abertura democrática
A história do MDB no Estado foi escrita sobretudo pelos ex-governadores Iris Rezende e Maguito Vilela, que foram os dois principais personagens da política goiana na década de 1990. Mas dessa trajetória também participaram figuras conhecidas, como o ex-governador Henrique Santillo, os ex-senadores Lúcia Vânia e Mauro Miranda, o ex-prefeito de Goiânia Nion Albernaz, Tarzan de Castro, Haley Margon, Adib Elias, Luiz Soyer, José Gomes da Rocha, Luiz Bittencourt, Iram Saraiva, Barbosa Neto, Pedro Chaves e vários outros.
O partido ascendeu de forma vertiginosa com o ocaso da ditadura militar a ascensão de Iris ao governo de Goiás. A redemocratização trouxe um sopro de esperança que foi personificado pelo emedebista Tancredo Neves, em âmbito nacional, e por vários outros em âmbito regional. Iris foi o porta-voz da mudança em território goiano.

Os dois mandatos dele como governador foram marcados por investimentos substanciais em infraestrutura. Avanços recentes em tecnologia do campo (sobretudo as técnicas de calcagem de terra) estavam impulsionando a agricultura em Goiás naquela época, e para que a produção continuasse a crescer o governo usou a receita crescente para abrir estradas e redes de transmissão. As circunstâncias fizeram com que Iris ficasse nacionalmente conhecido como grande tocador de obras.
O governo Maguito, por sua vez, entrou para história como aquele em que as bases do desenvolvimento se ampliaram. Com Maguito surgiram embriões de importantes programas sociais, como o Pão e Leite, e o mais importante: a industrialização avançou como nunca na gestão dele.
Ocaso e recuperação
Depois de quase 15 anos de hegemonia, o partido sofreu o seu maior revés em Goiás na eleição de 1998. O deputado federal Marconi Perillo, que havia militado do PMDB e trabalhado com o ex-governador Henrique Santillo no fim da década de 1980, liderou uma virada histórica e inimaginável contra o favoritíssimo Iris, que havia largado na corrida eleitoral com mais de 80% das intenções de voto.

Ainda abalado pelo resultado inesperado de 1998, Iris tentou dar a volta por cima em 2002 como candidato ao Senado. O ex-governador mais uma vez saiu como favorito, mas dessa vez pairava desconfiança no ar. Outra vez, ele foi subjugado por adversários que corriam por fora: elegeram-se, pela base de Marconi, Lúcia Vânia e Demóstenes Torres.
O reerguimento do MDB (que naquela época ainda se chamava PMDB) viria na eleição para prefeito de Goiânia. Iris, que anos antes havia dito que se aposentaria da política, aceitou o chamado dos aliados para disputar contra o professor universitário Pedro Wilson (herdeiro da forte tradição do PT na capital). O ex-governador venceu, convenceu e aproveitou a oportunidade de encerrar a carreira política – e a vida – reconhecido como um dos melhores prefeitos da história da Capital.

A troca de bastão começou no final dos anos 2010 e se concretizaria com a morte de Iris e Maguito no início dos anos 2020. O bastão passou de forma quase automática para Daniel Vilela, embora, ressalte-se, tenha havido resistência do casal Iris Rezende/Iris de Araújo em reconhecer Daniel como herdeiro do espólio do partido.
O relacionamento com Caiado
Às vésperas da eleição de 2018, não havia consenso no MDB a respeito de que rumo seguir. Iris queria que o partido apoiasse o então deputado federal Ronaldo Caiado, ao passo que Daniel e o prefeito de Aparecida, Gustavo Mendanha, defendiam candidatura própria ao Palácio das Esmeraldas. Prevaleceu a tese da candidatura própria e Daniel foi derrotado.
A composição viria no período entre a eleição de 2018 e a de 2022. Com auxílio de interlocutores discretos, mas eficientes, Caiado se aproximou de Daniel e ofereceu para ele a vaga de candidato a vice-governador (até então ocupada por Lincoln Tejota). O emedebista aceitou e, assim, pavimentou o caminho para que chegasse efetivamente ao poder em 1º de abril de 2026.
Ranking de filiados em Goiás (março de 2026)
Agir: 14,2 mil
Avante: 7,2 mil
Cidadania: 14,8 mil
DC: 9,8 mil
MDB: 114,5 mil
Missão: 354
Mobiliza: 6,4 mil
Novo: 2,5 mil
O Democrata: 2,1 mil
PCB: 385
PCdoB: 16,3 mil
PCO: 141
PDT: 26,5 mil
PL: 46,5 mil
Podemos: 35,7 mil
PP: 52 mil
PRD: 45,1 mil
PRTB: 8,6 mil
PSB: 20,3 mil
PSC: 3
PSD: 16,3 mil
PSDB: 66,1 mil
Psol: 4,8 mil
PSTU: 233
PT: 47,6 mil
PV: 9,8 mil
Rede: 819
Republicanos: 17,2 mil
Solidariedade: 18,8 mil
União Brasil: 54,5 mil
UP: 353