Reação

“Notícia que deixou a gente assustado”, diz produtor cultural sobre extinção do FAC

Segundo Márcio Júnior, trata-se de um segmento de profissionais que gera emprego e renda no Estado

Fundo destinado à Cultura será mantido (Foto: divulgação)
Fundo destinado à Cultura será mantido (Foto: divulgação)

Dentre os 18 fundos do Estado que podem ser extintos, 16 podem cair este ano. Os outros dois dependem de rito legislativo diferenciado. Um deles, porém, tem gerado grande repercussão: o Fundo de Arte e Cultura (FAC). “Notícia que deixou a gente assustado”, disse o produtor cultural Márcio Paixão Júnior.

“Ainda estamos na batalha para receber edições anteriores. Então essa notícia deixa muita gente desapontada. É um segmento de profissionais que gera emprego e renda.”

Para Márcio, o momento é dramático. Ele declara que o fundo teve impacto profundo na produção cultural de Goiás. “É investir em uma área que dá retorno. Para cada R$ 1 real investido em cultura, R$ 1,59 volta para a economia, além dos ganhos sociais”, informa. O número é, baseado em dados da Lei Rounet,de um levantamento do ano passado.

Outro apontamento feito por ele é que a extinção vai na contramão da campanha do governador Ronaldo Caiado (DEM) e que a classe artística vai à luta.

Durante a campanha eleitoral de 2018, no plano de governo do então candidato democrata, ele dizia que o potencial cultural do Estado não era aproveitado do ponto de vista econômico e social. Entre as propostas, estava “investir e desenvolver programas, projetos e ações sustentáveis no setor cultural” e ainda “ampliar os benefícios econômicos e sociais decorrentes do setor cultural no estado”.

Extinção dos fundos

A extinção dos fundos foi enviada à Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) no dia 6 de dezembro, por projeto de Lei Ordinária, que inclui o Fundo de Arte e Cultura e outros 14 fundos especiais; projeto Lei Complementar (Fundo de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Goiânia); e por proposta de emenda à Constituição (Fundo Constitucional de Desenvolvimento do Nordeste Goiano e Fundo Constitucional do Vale do São Patrício e Norte Goiano).

Dessas, 16 ainda podem ser apreciadas este ano. As PECs dependem de rito específico: mínimo de dez sessões ordinárias para começar a tramitar, de fato.

Vale citar que, na última terça-feira (10), já tinha sido aprovado na Alego um projeto de lei que modificava a destinação do Fundo de Arte e Cultura do Estado. Anteriormente, 0,5% da receita líquida do Estado era destinada ao FAC. A mudança, colocada em uma “emenda jabuti”, acrescentou a palavra “até” antes de 0,5%, o que permite o repasse inferior ao valor. A proposta foi colocada pelo líder do governo, Bruno Peixoto (MDB), em uma matéria de outro assunto.

Já nesta quarta-feira (11), secretário de Cultura, Adriano Baldy, anunciou o pagamento de editais do FAC no valor de R$ 30 milhões. Os números contemplam 342 projetos de 2018 e 2017. A meta é que, até sexta-feira (13), os repasses sejam finalizados.

Proposta

A proposta inclui os 15 fundos, entre eles o FAC, e quer “atender à solicitação do TCE, que recomendou a avaliação da pertinência da manutenção de diversos fundos estaduais, que não possuem previsão na constituição Federal ou Estadual”, aponta a justificativa da lei.

O texto ainda diz que a “manutenção e criação de fundos tornou-se prática na instrumentalização das políticas do Estado, em razão da redução da disponibilidade de recursos do Tesouro, resultando na proliferação deste mecanismo”.

Assim, “com a extinção dos (…) fundos, seus ativos, passivos, acervos, bem como seus programas, ações (…) serão automaticamente incorporados pelos órgãos e entidades indicados”. E ainda: “A presente propositura propiciará ao Estado melhor eficiência na gestão de recursos do Tesouro, com a implantação da conta única, como instrumento de gerenciamento dos recursos financeiros do Estado.” O Fundo de Cultura, no caso, será incorporado pela Secretaria de Estado de Cultura.

O deputado Bruno Peixoto, líder do governo, foi procurado para comentar acerca do tema. Até o fechamento da matéria o Mais Goiás não conseguiu contato.