Terça-feira, 27 de Outubro de 2026
JUSTIÇA

Por que Moraes mandou Flávio Bolsonaro entregar o passaporte? Entenda

Ordem foi dada em investigação sobre lavagem de dinheiro e evasão de divisas; pedido da PF citou vínculos no exterior e declaração de Eduardo Bolsonaro

Por - Goiânia, GO
Publicado em:
Senador Flávio Bolsonaro

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a entrega dos passaportes de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para impedir que o senador deixe o Brasil durante uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A medida foi solicitada pela Polícia Federal, que apontou risco de fuga. Flávio nega que pretendesse sair do país.

O senador é investigado no mesmo inquérito que o advogado Willer Tomaz, seu amigo. A decisão tramita sob sigilo e também proíbe qualquer contato entre os dois.

No pedido encaminhado a Moraes, a PF citou a ligação de Flávio com a Alcazar Holding, empresa vinculada a Willer e sediada na Ilha da Madeira, em Portugal. O senador constava como usuário com acesso e poderes de gerenciamento em uma conta da empresa até maio de 2025.

Outro fundamento foi uma declaração de Eduardo Bolsonaro. Em entrevista a um programa americano na sexta-feira (23), o ex-deputado afirmou ser favorável à saída do irmão do Brasil caso ele perdesse a eleição presidencial. A PF também mencionou que Willer estava nos Estados Unidos desde agosto, sem previsão de retorno.

A investigação busca esclarecer as relações financeiras entre Flávio e o advogado. Conforme a Agência Brasil, a apuração preliminar da PF aponta o senador como possível beneficiário de recursos da empresa portuguesa. As suspeitas ainda estão sob investigação.

Flávio foi intimado na segunda-feira (26) e recebeu prazo de 24 horas para apresentar os documentos. A ordem alcançou os passaportes brasileiros, inclusive o diplomático, e eventuais documentos de viagem emitidos por outros países.

Nesta terça-feira (27), o senador não entregou o passaporte até o fim da manhã. A PF cancelou a validade do documento, como publicou o Mais Goiás minutos atrás.

Ao comentar a ordem nas redes sociais, Flávio atribuiu a medida à declaração do irmão e contestou a justificativa. “Eu nunca pensei em sair do país”, afirmou. O senador disse que entregaria os passaportes e classificou a decisão como uma tentativa de intimidação

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