Golpe bancário

Prefeitos de Goiás tentam recuperar milhões desviados por ataque hacker

Casos registrados em diferentes municípios levaram a AGM a mobilizar prefeitos e cobrar medidas para recuperar recursos

Após prejuízo milionário, prefeitos de Goiás tentam recuperar dinheiro desviado por ataque hacker
Nosso jurídico está tomando todas as medidas necessárias", diz AGM (Foto: Reprodução)

Prefeituras de diferentes regiões do estado de Goiás foram alvo de ataques hackers nos últimos meses. A onda de episódios, que se arrasta desde o ano passado, tem gerado preocupação e mobilização da Associação Goiana dos Municípios (AGM) que atua, em Brasília, na tentativa de reverter os prejuízos milionários causados pelos criminosos.

No último final de semana, o prefeito de Hidrolândia e presidente da AGM, Zé Délio Jr., gravou um vídeo ao lado dos prefeitos de Caçu, Kelson Vilarinho, e de Santa Rita do Araguaia, Carlos Tadeu Rocha. Na gravação, os gestores relatam prejuízos causados por ataques cibernéticos que atingiram contas da cidade.

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Em Caçu, o prejuízo ultrapassa R$ 3 milhões. Segundo informações levantadas durante as investigações, os criminosos, após conseguirem acesso às contas da prefeitura, distribuíram os recursos em diversas contas bancárias. A estratégia teria sido utilizada para dificultar o rastreamento do dinheiro e atrapalhar o trabalho dos responsáveis pela apuração do caso.

O desvio foi descoberto por servidores durante conferência das contas. Ao verificarem que o saldo disponível era bem menor do que o previsto, os funcionários comunicaram a instituição financeira. A partir do alerta, o banco conseguiu bloquear transferências que somavam aproximadamente R$ 600 mil, evitando que uma quantia ainda maior fosse movimentada.

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Em Santa Rita do Araguaia a situação não foi diferente. Lá, o prejuízo ultrapassou, segundo o prefeito, a marca de R$ 1 milhão. “Sofremos um ataque que nos prejudicou em mais de R$ 1 milhão. Desse valor, mais de R$ 800 mil foi retirado de uma conta do vinculada ao Ministério da Saúde e destinada à construção de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) na cidade. Os municípios já vivem com o pires na mão, agora ainda temos que passar por uma dessa”, lamentou Carlos Tadeu Rocha.

O prefeito de Nazário, João Batista Carvalho, popularmente conhecido como Ferruja, também passou pelo mesmo episódio. No depoimento, ele relatou que sua administração foi alvo da ação dos criminosos, que conseguiram driblar mecanismos de segurança bancária e retirar dos cofres públicos quase R$ 3 milhões.

“Fizemos uma ocorrência na delegacia, mas até hoje seguimos sem uma solução definitiva para esse caso. Não tivemos providências. Por isso, estamos fazendo uma movimentação junto aos órgãos responsáveis para o ressarcimento desse valor”, pontuou o gestor.

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Na semana passada, o prefeito de Castelândia, Ednaldo Andrade Miguel, mais conhecido como Meinha, também esteve na sede da AGM onde consultou o assessor jurídico da entidade sobre os golpes praticados por hackers contra as prefeituras goianas. A reportagem ainda não conseguiu confirmar se o município também foi alvo de ataques cibernéticos.

O presidente da AGM, Zé Délio Jr., pediu aos prefeitos que confiram a situação de seus cofres e em caso de movimentação atípica que procurem a AGM. “Nosso jurídico está tomando todas as medidas necessárias”, disse. Ele também informou que o prefeito de Caçu esteve no último final de semana na Caixa Econômica Federal (CEF), em Brasília, representando os municípios goianos nas tratativas para garantir a devolução dos recursos e a responsabilização dos envolvidos.

A Polícia Civil de Goiás (PCGO) conduz as investigações dos casos. No entanto, existe a possibilidade de que parte das apurações passe a ser conduzida pela Polícia Federal (PF), uma vez que as transações envolvem recursos mantidos em instituição financeira vinculada à União. A reportagem não conseguiu contato com a Caixa Econômica. O espaço segue aberto para manifestação da instituição.

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Prefeitos afetados pelos ataques afirmam que a perda desses recursos poderá comprometer atividades e investimentos planejados pelas administrações. Segundo os gestores, parte do dinheiro estava destinada a áreas específicas, o que pode gerar impactos diretos na execução de obras, programas e serviços oferecidos à população.