BRASÍLIA

Quem é o advogado que deve ser anunciado ministro da Justiça

Lula afirma a auxiliares que avalia a nomeação de Wellington César Lima e Silva para o cargo

Quem é o advogado que deve ser anunciado ministro da Justiça (Foto: Agência Brasil)
Quem é o advogado que deve ser anunciado ministro da Justiça (Foto: Agência Brasil)

(Folhapress) O presidente Lula (PT) deve anunciar ainda nesta semana a escolha do advogado Wellington César Lima e Silva para comandar o Ministério da Justiça e Segurança Pública, segundo aliados.

Lula já afirmou a auxiliares que avalia a nomeação de Lima e Silva para o cargo, e a expectativa no Palácio do Planalto é que o anúncio seja formalizado nos próximos dias.

Antes de fechar a decisão, porém, Lula ainda pretende ouvir ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e dirigentes partidários.

Uma ala do PT de São Paulo tem defendido o nome do deputado federal Rui Falcão (PT-SP). A eventual escolha facilitaria a reorganização interna do partido no estado, sobretudo diante do cenário eleitoral de 2026.

Entre os pré-candidatos do PT paulista à Câmara dos Deputados estão o presidente nacional da sigla, Edinho Silva, o ex-ministro José Dirceu e o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha.

Apesar do favoritismo de Silva, no entorno do presidente, ainda existe quem proponha um nome com maior visibilidade política para defender o governo nas redes, a exemplo do papel exercido por Flávio Dino no cargo.

Hoje à frente do departamento jurídico da Petrobras, por indicação do próprio Lula, Lima e Silva estreitou a relação com o presidente nos 18 meses em que ocupou a Secretaria de Assuntos Jurídicos da Presidência da República.

Despachava quase diariamente com Lula, na função de análise de atos da Presidência e avaliação de indicações e preparo de despachos, entre outros.

Sete anos antes, em meio ao processo de impeachment de Dilma Rousseff, chegou a assumir o Ministério da Justiça, mas ficou no cargo apenas por 14 dias.

A posse foi anulada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), sob a interpretação de que um integrante do Ministério Público não pode ocupar função no Executivo.

Aliados do presidente afirmam que Lula deposita grande confiança em Silva, que acumula passagens por diversos cargos públicos. Ele já foi promotor de Justiça e procurador-geral, funções nas quais teve contato direto com a realidade do sistema de Justiça.

À frente da Secretaria de Assuntos Jurídicos, lidou com a burocracia do governo, questões orçamentárias e o funcionamento da Esplanada como um todo. Também mantém bom diálogo com o setor de segurança pública e tem sólida formação acadêmica.

Outro ponto a favor de Silva é o perfil operacional, o que ajudaria a dar andamento e a concretizar projetos da pasta, o que seria importante também por ser ano eleitoral.

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), é apontado como o principal articulador da indicação, que também contou com a simpatia do ministro da Casa Civil, Rui Costa.

No ano passado, Costa e o cotado chegaram a divergir diante de Lula sobre encaminhamentos, mas se reconciliaram.

O ministro-chefe da Secom, Sidônio Palmeira, é apontado como outro simpatizante de Lima e Silva.

Próximo ao PT da Bahia, Silva foi nomeado em 2010 para o comando do Ministério Público estadual, durante a gestão de Jaques Wagner no governo baiano.

O posto de ministro da Justiça foi deixado por Ricardo Lewandowski, que teve a exoneração publicada no Diário Oficial da União na sexta-feira (9).

Lewandowski encerrou uma gestão de quase dois anos. Embora tenha chegado à pasta com elevado capital, ele se despediu sem uma marca própria consolidada e com os principais projetos ainda em tramitação no Congresso, como a PEC da Segurança Púlbica.

Na carta de demissão enviada a Lula, o agora ex-ministro destacou limitações políticas, conjunturais e orçamentárias enfrentadas durante a gestão.

Desde o início da gestão, a área da segurança pública foi atravessada por sucessivos desgastes. Em 2023, a fuga de dois detentos ligados ao Comando Vermelho do presídio federal de Mossoró expôs fragilidades no sistema prisional federal. Dois anos depois, a morte de 122 pessoas em uma operação policial no Rio de Janeiro contra supostos membros do Comando Vermelho reacendeu o debate sobre o papel do governo federal na coordenação da política de segurança.

Mesmo com a saída de Lewandowski, a equipe atual se comprometeu a permanecer até que o novo nome escolhido pelo presidente tome posse e seja feita a transição.

Lula nomeou o secretário-executivo do ministério, Manoel Carlos de Almeida Neto, para comandar a pasta até a escolha do novo titular.