VAI AO SENADO

Só dois deputados goianos foram contra mudanças no licenciamento ambiental

"Compromete o País no médio prazo e cria mais dificuldades no relacionamento internacional"

Só dois deputados goianos foram contra mudanças no licenciamento ambiental
Só dois deputados goianos foram contra mudanças no licenciamento ambiental

Somente dois deputados federais por Goiás foram contrários a proposta que altera procedimentos para o licenciamento ambiental no País: Elias Vaz (PSB) e Rubens Otoni (PT). Trata-se do projeto de lei (PL) 3729/2004.

O projeto, que segue agora para o Senado, entre outras coisas, dispensa determinadas atividades e empreendimentos da obtenção de licenciamento ambiental; permite a licença ‘autodeclarada’ para empreendimentos de baixo impacto ambiental, que poderá ser obtida sem análise prévia pelo órgão ambiental; concentra o poder decisório sobre o licenciamento ao órgão regulador, retirando o poder de veto das comunidades indígenas; permite a junção de duas licenças em uma só; exclui as terras indígenas não demarcadas e os territórios quilombolas não titulados da análise de impactos.

Para Rubens, o texto representa um retrocesso diante de tudo aquilo que o mundo moderno tem exigido. “Na prática, acaba com o licenciamento ambiental, compromete o País no médio prazo e cria mais dificuldades no relacionamento internacional”, avalia.

Não votaram: Célio Silveira (PSDB), Flávia Morais (PDT), Francisco Jr. (PSD), José Nelto (Podemos) e Vitor Hugo (PSL). Os demais foram favoráveis.

Novas regras

Vale destacar, a apreciação na medida já feita, nesta quinta, com base nas novas regras do regimento interno da Casa. O texto, aprovado na noite de quarta, limita a atuação da oposição, reduzindo sessões de debates e encaminhamento de votação em regime de urgência, bem como reduz a competência para a apresentação de emendas aglutinativas (aquelas originadas da fusão de outras emendas) e impede a apresentação de requerimento de retirada de pauta no mesmo dia que o projeto tiver o regime de urgência aprovado, o que limita o adiamento da discussão, etc.

Para Otoni, esse texto, na verdade, foi um tiro no pé que o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL) e seus aliados deram. “Traíram o poder Legislativo, restringindo o espaço de debate. Hoje eu sou oposição, mas amanhã poderão ser eles”, arremata.