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SpaceX, OpenAI e Anthropic abrem capital e miram quase US$ 200 bilhões em Wall Street

A SpaceX, grupo aeroespacial e de inteligência artificial controlado por Elon Musk, mira arrecadar até US$ 80 bilhões

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Elon Musk lidera abertura das big techs na bolsa | Foto: Reprodução

Três das maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos, com avaliações próximas de US$ 1 trilhão cada uma, se aproximam de suas estreias na bolsa de valores. A SpaceX abre o calendário com uma oferta pública inicial prevista para junho, enquanto OpenAI e Anthropic devem seguir no segundo semestre de 2025 ou ao longo de 2026. Juntas, as três companhias pretendem captar quase US$ 200 bilhões, montante que se aproxima do total arrecadado em IPOs americanos nos últimos quatro anos, estimado em US$ 240 bilhões.

A SpaceX, grupo aeroespacial e de inteligência artificial controlado por Elon Musk, mira arrecadar até US$ 80 bilhões, valor que já superaria o total captado por todos os IPOs americanos em 2025. OpenAI e Anthropic buscam US$ 60 bilhões cada. Em antecipação às aberturas de capital, os mercados secundários já registraram forte movimentação, com a valorização teórica da Anthropic ultrapassando a marca de US$ 1 trilhão. Ambas as empresas de inteligência artificial emitiram alertas aos investidores sobre instrumentos financeiros que oferecem apenas acesso indireto às suas ações.

Analistas do setor avaliam que o mercado tem capacidade de absorver esse volume, desde que as precificações sejam adequadas. Para Mark Roberts, sócio-gerente da consultoria The Blue Shirt Group, “há capital suficiente para acolher com entusiasmo essas três companhias, se os preços forem fixados corretamente”. O especialista em IPOs Jay Ritter, da Universidade da Flórida, minimiza a importância da ordem de entrada no mercado: “Nem tenho certeza se a ordem é tão importante, porque são empresas únicas.”

O cenário, porém, não está livre de incertezas. O conflito no Oriente Médio adiciona pressões inflacionárias e aumenta a instabilidade geopolítica. Emily Zheng, analista da plataforma de dados Pitchbook, resume o momento: “Estamos realmente em terreno desconhecido para o capital de risco, e essa concentração está mais extrema do que nunca.” Fundos de private equity que detêm participações nas três empresas também devem aproveitar as aberturas de capital para monetizar seus investimentos junto a uma base de compradores muito mais ampla.

O desempenho dessas companhias nos mercados públicos funcionará como um indicador do apetite dos investidores pelo setor de inteligência artificial. Segundo Zheng, um bom desempenho validaria as avaliações bilionárias atribuídas no mercado privado, mas o caminho contrário também é possível. “Se as companhias não forem bem, os investidores podem concluir que estão sobrevalorizadas, o que provocaria vendas em massa”, alertou a analista. Uma trajetória negativa poderia, por extensão, pressionar para baixo a avaliação de diversas outras empresas que ainda não abriram seu capital.

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