INSATISFAÇÃO

Como em Goiás, Enel pode deixar São Paulo devido às insatisfações

Diretor-geral da Aneel disse que a distribuidora "perdeu a credibilidade e legitimidade" para continuar a prestar serviços na capital paulista

Como em Goiás, Enel pode deixar São Paulo devido às insatisfações
Tarcísio usa precedente de Goiás para cobrar saída da Enel de São Paulo

Como em Goiás, a Enel pode deixar o município de São Paulo devido às insatisfações em relação à prestação de serviço. Diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Sandoval Feitosa disse que a distribuidora “perdeu a credibilidade e legitimidade” para continuar a prestar serviços na capital paulista. A fala ocorreu nesta terça-feira (24) durante o voto dele no processo que julga a caducidade do contrato da empresa.

“Relembro que os usuários e consumidores da companhia são detentores do direito à efetiva prestação de serviço, podendo exigi-lo em face da Administração e em face do concessionário”, disse. Segundo ele, as reações da população atendida pela concessionária, mesmo nas redes sociais, mostram o descontentamento com o serviço prestado.

Ele afirmou, ainda, que a empresa prioriza investimentos que não permitiram a conservação e manutenção da rede. Segundo Feitosa, a empresa descumpriu contratos, apesar de penalidades determinadas pela Aneel e também pelo Procon-SP. “A centralidade no cliente define o êxito da prestação do serviço público. Atender de forma adequada e contínua é indicador de sucesso da empresa, o que não se vê no caso da Enel em São Paulo.”

Relatora do processo, Agnes Maria de Aragão da Costa votou em novembro passado para estender o acompanhamento do Plano de Recuperação apresentado pela empresa até 31 de março. A ideia era verificar se a distribuidora sanou problemas. A justificativa era avaliar o desempenho durante o período historicamente mais crítico, ou seja, o das chuvas.

Em 10 e 11 de dezembro, um evento climático gerou interrupções em, pelo menos, 1,5 milhão de imóveis. Feitosa, então, pediu que a Superintendência de Fiscalização Técnica fizesse uma avaliação específica sobre a atuação da Enel com base no plano proposto.

Naquele momento, a Enel SP se manifestou formalmente e anexou um parecer jurídico de 95 páginas. Além disso, pediu prazo adicional para uma nova manifestação acerca da nota técnica da fiscalização.

Vale lembrar que a empresa já disse que os apagões ocorrem devido às quedas de árvores na região metropolitana – muitos cabos passam por dentro das copas. Assim, por causa das condições atuais da rede elétrica, seriam impossíveis de evitar.

Goiás como referência

Também em dezembro, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), usou o histórico de Goiás para cobrar ações do governo federal contra a Enel. “Quem era a concessionária que foi substituída no Estado de Goiás por deficiência técnica? A Enel. (…) A pergunta é: por que esses remédios foram usados em outras unidades da Federação e não estão sendo usados no estado de São Paulo?”, disse e lembrou que a empresa foi alvo de pressão em 2022 até ser vendida, devido a uma série de falhas. “A gente tem de deixar claro que a Constituição estabeleceu competências e atribuiu à União a competência pelo serviço de distribuição de energia.”

Ele ainda afirmou que, com o fim do contrato em 2028, a Enel não tem feito os investimentos necessários e reduziu equipes, além de deixar de lado ações de manutenção e reforço de rede. Entre elas, poda de árvores e automação do sistema. Tarcísio citou, ainda, que no Paraná, onde a privatizada Companhia Paranaense de Energia (Copel) enfrentou crise por causa de eventos climáticos, a resposta foi mais rápida.

Mas ainda sobre Goiás, o caso citado por Tarcísio se refere à transição conturbada ocorrida em Goiás, onde a Enel, após adquirir a estatal Celg-D, enfrentou anos de desgaste com o governo estadual e a população devido à má qualidade do serviço. A pressão política, liderada pelo governador Ronaldo Caiado (União Brasil), garantiu a venda da operação para a Equatorial Energia em dezembro de 2022.

O Ministério de Minas e Energia tem pressionado a Aneel para decidir pela caducidade da concessão.