Millennials estudam mais que os pais, mas não superam padrão de vida da geração X
Estudo mostra que renda cresce menos de 2% ao ano e mobilidade social segue travada
Apesar de terem maior nível de escolaridade, os brasileiros da geração Millennial (nascidos entre 1981 e 1996) não conseguem superar o padrão de vida da geração X (1965 a 1980), segundo estudo do Insper. A renda até cresceu, mas em ritmo insuficiente para garantir mobilidade social no país.
A pesquisa, realizada pelos economistas Daniel Duque, Michael França e Fillipi Nascimento, comparou dois grupos: pessoas da geração X nascidas entre 1967 e 1969, que tinham 30 anos entre 1997 e 1999, e Millennials nascidos entre 1992 e 1994, que atingiram a mesma idade entre 2022 e 2024.
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Os dados mostram que, em todas as faixas de renda, o crescimento anual dos Millennials em relação à geração anterior não ultrapassou 2%. Entre os 25% mais ricos, a alta foi inferior a 0,5% ao ano, enquanto nos 10% mais ricos o avanço foi praticamente nulo. Apenas o grupo do topo, os 5% mais ricos, registrou crescimento ligeiramente superior a 0,5% ao ano.
Segundo Daniel Duque, a variação é pequena e reflete a baixa mobilidade social no Brasil. “Mesmo os grupos que tiveram maior avanço na renda não conseguiram mudar de status, e a evolução do consumo ficou abaixo do esperado”, afirma.
De acordo com o estudo, para que houvesse mobilidade efetiva entre gerações, seria necessário um crescimento médio de cerca de 3% ao ano — variando entre 2% e 4% — além de um avanço mais acelerado nas camadas de menor renda.
Duque atribui o desempenho limitado às sucessivas crises econômicas enfrentadas pelo país. “Passamos por momentos como a crise de 2015 e 2016 e a pandemia, que comprimiram os rendimentos”, explica.
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O presidente do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS), Paulo Tafner, avalia que o cenário exige mudanças estruturais. “O processo econômico brasileiro não está sendo capaz de gerar mobilidade social e reduzir a pobreza. É preciso ampliar oportunidades por meio do desenvolvimento econômico”, diz.
Para o economista Bruno Imaizumi, da 4intelligence, o país falha ao priorizar reformas que aumentem produtividade e renda. “Não adianta focar apenas no trabalho. É preciso investir em capital, tecnologia e competitividade”, afirma.
Apesar da estagnação na renda, o levantamento aponta aumento no acesso a bens duráveis. Itens como geladeira, fogão e máquina de lavar tiveram expansão significativa em todas as faixas de renda. Entre famílias de renda intermediária, o acesso saltou de pouco mais de 30% para cerca de 75%.
Segundo Duque, o avanço se explica pela queda relativa de preços desses produtos, devido à tecnologia e produção em escala, além da ampliação do crédito. No entanto, ele ressalta que isso não representa ganho de status social. “Hoje, bens como motocicletas deixaram de ser um diferencial”, afirma.
O estudo também identificou mudanças no padrão de moradia. Na geração X, a independência residencial aumentava conforme a renda, variando de 30% entre os mais pobres a mais de 80% entre os mais ricos. Já entre Millennials, o cenário se inverte: jovens de maior renda tendem a permanecer mais tempo na casa dos pais, enquanto os de menor renda apresentam maior taxa de saída, muitas vezes impulsionados por programas habitacionais.
Por fim, a pesquisa aponta que desigualdades estruturais seguem impactando a mobilidade. Mesmo com avanços, a renda de homens brancos da geração X aos 30 anos ainda é superior à de outros grupos da geração Millennial atualmente, evidenciando a persistência de desigualdades raciais e de gênero no país.