Pastora lésbica funda igreja com a mulher e fala sobre haters: ‘Louvo a Deus por não estar com eles’
Rosania Rocha e Lanna Holder fundaram a igreja inclusiva Cidade de Refúgio
A pastora e cantora Rosania Rocha, de 53 anos, afirmou que os ataques e ameaças recebidos desde que fundou, ao lado da esposa Lanna Holder, a igreja inclusiva Cidade de Refúgio não abalaram sua fé. Em entrevista à Folha de S.Paulo, ela revelou que costuma ser alvo de mensagens de ódio nas redes sociais, mas afirmou que prefere manter o foco em sua missão. “Enquanto isso, louvo a Deus por não estar no meio deles“, declarou.
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Igreja nasceu da história de amor do casal
Fundada há 15 anos, em São Paulo, a Cidade de Refúgio surgiu após a trajetória pessoal de Rosania Rocha e Lanna Holder. Antes de se conhecerem, ambas viveram casamentos heterossexuais e tiveram filhos.
Lanna, inclusive, percorreu igrejas por cerca de sete anos dando testemunhos de que havia deixado de ser lésbica após passar pela chamada “cura gay”. No entanto, durante uma viagem aos Estados Unidos, conheceu Rosania, que morava no país com o então marido e o filho.
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As duas desenvolveram uma amizade que acabou se transformando em um relacionamento. Segundo Lanna, elas tentaram resistir ao sentimento, mas sofreram até decidir viver a relação.
Rejeição e início de uma nova missão
Ao procurar ajuda de um pastor para falar sobre o que estava sentindo, Rosania viu sua história se espalhar rapidamente entre líderes religiosos.
Após a repercussão, ela se separou do marido, deixou a igreja que frequentava em Connecticut e se mudou para Massachusetts. A cantora afirma que deixou de receber convites para cantar em igrejas e precisou trabalhar limpando casas para se sustentar.
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Durante esse período, o casal passou a conhecer diversas pessoas LGBTQIAPN+ que haviam abandonado suas comunidades religiosas por falta de acolhimento.
Foi dessa necessidade que nasceu a Cidade de Refúgio, criada para receber pessoas que buscavam conciliar a fé cristã com sua orientação sexual ou identidade de gênero.
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Expansão da Cidade de Refúgio
Atualmente, a igreja conta com 20 unidades espalhadas entre o Brasil e Portugal, incluindo uma sede em Lisboa, além de um projeto de expansão para os Estados Unidos.
A congregação também criou a CR Online, plataforma que reúne fiéis de países como Japão, França e Israel. Segundo Rosania, a igreja realiza cultos semanais pela internet e até oferece batismos remotos.
No mês passado, a cantora reuniu o público no Theatro Municipal de São Paulo para a gravação de um espetáculo com orquestra, coral, trocas de figurino e cerca de 200 participantes. O repertório incluiu músicas do álbum “Ani-Hu”, lançado em maio, cujo nome significa “eu e ele em um só”, em hebraico.
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‘Louvo a Deus por não estar no meio deles’
Apesar do crescimento da igreja, Rosania Rocha afirma que continua enfrentando preconceito. Segundo ela, sempre que publica interpretações de músicas gospel nas redes sociais, surgem comentários dizendo que ela deveria parar de cantar esse tipo de repertório.
Além das críticas, a pastora relata que já recebeu ameaças e mensagens desejando doenças e tragédias para sua família. “As pessoas dizem: ‘Deus vai tocar na sua casa, nos seus filhos e nos seus animais’. Também nos praguejam com doenças”, contou.
Mesmo diante dos ataques, Rosania afirmou que prefere não responder às ofensas. “Enquanto isso, louvo a Deus por não estar no meio deles“, concluiu.
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