MUDANÇA DEVIDO À DELAÇÃO

Diferente de Bolsonaro, Vorcaro é transferido para cela comum na Superintendência da PF

Fundador do Master não foi colocado na sala especial

Diferente de Bolsonaro, Vorcaro é transferido para cela comum na Superintendência da PF
Diferente de Bolsonaro, Vorcaro é transferido para cela comum na Superintendência da PF (Foto: Divulgação)

O banqueiro Daniel Vorcaro, que foi transferido na quinta-feira (19) da Penitenciária Federal em Brasília para a Superintendência da PF a pedido da defesa devido às tratativas para a delação premiada, está em uma cela comum. O fundador do Master não foi colocado na sala especial onde o ex-presidente Jair Bolsonaro ficou detido antes de ser transferido para a Papudinha.

Como não há outros presos na carceragem, Vorcaro está sozinho. A informação foi apurada pelo Metrópoles. As superintendências da Polícia Federal só recebem presos em casos excepcionais.

Na cela, o banqueiro tem uma cama, banheiro e grades. Não se trata de uma suíte com ar-condicionado, como no caso de Bolsonaro. O ex-presidente ficou de 22 de novembro de 2025 a 15 de janeiro deste ano no local, onde iniciou o cumprimento da pena de 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e crimes relacionados.

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Vorcaro foi preso em 4 de março durante a terceira Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Inicialmente, ele ingressou no Complexo Penal II de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo. Ele chegou a ser levado para a Unidade Prisional de Potim, no Vale do Paraíba. Contudo, o banqueiro foi transferido para a Penitenciária Federal de Brasília, onde ficou até quinta-feira.

Quanto à operação, ela apura supostas irregularidades na gestão do banco Master, liquidado no ano passado pelo Banco Central. Conforme apuração, a instituição está envolvida em um esquema que teria provocado um rombo de quase R$ 40 bilhões no mercado financeiro.

Este ocorreria por meio de emissão e comercialização de títulos de crédito sem lastro, conhecidos como “ativos podres”. Eles são usados para inflar artificialmente o patrimônio da instituição, além de ocultar fragilidades financeiras.

A terceira fase da operação investiga Vorcaro por ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de sistemas da PF e até de organismos internacionais, como FBI e Interpol. A defesa do fundador do Master nega todas as acusações. Afirma, ainda, que ele não tentou obstruir as investigações.

Entre as ameaças que o banqueiro fazia a quem considerava adversário, conforme a PF, estava uma mensagem para intimidar o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Por meio de um assalto forjado, ele planejava “dar um pau” e “quebrar os dentes” do profissional.

Ao todo, foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão em São Paulo e em Minas Gerais, além de quatro de prisão – também foram detidos Fabiano Zettel, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão e Marilson Roseno da Silva. Na ocasião, houve, ainda, a determinação pelo afastamento de cargos públicos e de sequestro e de bloqueio de bens no montante de até R$ 22 bilhões.

Dinheiro oculto na conta do pai

Destaca-se que a PF descobriu que, após a primeira prisão, Vorcaro ocultou R$ 2,2 bilhões de credores e vítimas do Banco Master na conta do pai dele. Esta foi aberta pela gestora de investimentos Reag, que é suspeita de lavar dinheiro para a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Ela também foi liquidada pelo Banco Central no fim do ano passado.

Membros do grupo e seus papéis, conforme a PF:

  • Daniel Vorcaro: líder de uma organização criminosa que atuava de forma estruturada e cooptava servidores de alto escalão para tentar influenciar a opinião pública para enfraquecer o Estado.
  • Fabiano Zettel: operador financeiro do grupo.
  • Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão: responsável por coordenar as atividades do grupo (tirou a própria vida na Superintendência da PF, em Belo Horizonte).
  • Marilson Roseno da Silva: policial federal aposentado, que seria um integrante relevante da estrutura paralela de monitoramento.

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