Bolsa brasileira tem 5ª maior queda semanal desde o Plano Real e dólar dispara; entenda
Ibovespa recuou 18,12% em uma semana, no pior resultado desde o início da pandemia de Covid-19
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O mercado financeiro brasileiro encerrou a semana com fortes perdas, marcada pela queda expressiva da Bolsa de Valores e pela disparada do dólar. O Ibovespa, principal índice da B3, acumulou desvalorização de 18,12% entre segunda-feira (26) e sexta-feira (30), registrando a quinta maior queda semanal desde a criação do Plano Real, em 1994.
O resultado representa o pior desempenho do indicador desde março de 2020, quando o avanço da pandemia de Covid-19 provocou turbulência nos mercados internacionais. O percentual também igualou, com duas casas decimais, a queda registrada na semana dos atentados de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos.
Na sexta-feira (30), o Ibovespa fechou em baixa de 0,75%, aos 167.921,80 pontos, completando o quinto pregão consecutivo de perdas. Segundo levantamento da Elos Ayta divulgado pela CNN Brasil, a desvalorização da semana provocou uma redução de R$ 873 bilhões no valor de mercado das empresas listadas na Bolsa brasileira.
Dólar registra maior alta semanal desde 2008
Enquanto a Bolsa acumulou perdas, o dólar avançou e fechou a sexta-feira cotado a R$ 5,44, com alta de 1,09% no dia. Na semana, a moeda norte-americana subiu 9,15%, registrando sua maior valorização no período desde outubro de 2008, durante a crise financeira internacional.
O movimento de instabilidade ganhou força após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais. A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou uma revisão das expectativas dos investidores em relação à economia brasileira, especialmente sobre a política fiscal e os rumos das contas públicas.
Na segunda-feira (26), primeiro pregão após a eleição, a Bolsa chegou a registrar queda próxima de 14%, acionando o circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações quando há oscilações muito intensas.
O que explica a queda da Bolsa?
Além do cenário político e das incertezas sobre a condução da economia, a saída de investidores estrangeiros também pressionou os ativos brasileiros. Dados da B3 apontaram retirada líquida de quase R$ 7,6 bilhões do mercado secundário de ações nos três primeiros pregões da semana.
O cenário internacional também contribuiu para a cautela dos investidores, especialmente diante das preocupações com empresas de tecnologia dos Estados Unidos e os investimentos em inteligência artificial.
Apesar da sequência negativa, o Ibovespa ainda acumulava valorização de 4,22% em 2026 até o fechamento de outubro.