Quase 30 anos depois, credores do Papa-Tudo podem consultar valores a receber
Consulta utiliza CPF ou CNPJ do titular para localizar créditos de consumidores lesados
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Via Folha de São Paulo – O famoso Papa-Tudo, febre dos anos 1990, voltou ao noticiário. A Susep (Superintendência de Seguros Privados) informou na última sexta-feira (16) que o liquidante da Interunion Capitalização, empresa em liquidação extrajudicial que emitiu os títulos da rede, abriu uma consulta online para quem pode ter dinheiro a receber.
A consulta pode ser feita no endereço www.papatudo.net.br, com o CPF ou o CNPJ do titular. Se for identificado crédito em nome de quem consulta, o site apresenta as orientações para o recebimento dos valores, sem necessidade de ir à sede da empresa em liquidação.
A Susep afirmou que não se trata de uma decisão judicial. Segundo o órgão, o processo de liquidação extrajudicial da Interunion evoluiu ao longo do tempo sob acompanhamento da Susep, período em que diversas medidas foram adotadas visando pagar os credores.
O Papa-Tudo era um título de capitalização, regulado pela Susep por não ser uma loteria. Na prática, funcionava de forma parecida com um telebingo, mas o comprador não apostava dinheiro, ele adquiria um título, que dava direito a concorrer a prêmios.
Em 1998, época da crise da empresa, cada título custava R$ 3. Metade desse valor podia ser resgatada, com correção, um ano depois da compra, e a outra metade ficava com a empresa, que a usava na administração, na publicidade e na compra dos prêmios sorteados.
Na época, ainda segundo a reportagem, o calote foi estimado em pelo menos R$ 218 milhões, dos quais R$ 168 milhões em títulos vencidos e não pagos e mais R$ 50 milhões em dívidas com fornecedores. Também havia deixado de entregar 1.200 televisores e 125 ambulâncias. A empresa foi impedida de emitir novos títulos a partir daquele ano. A Interunion foi liquidada extrajudicialmente pela Susep.
A Interunion, dona do produto, ocupava o intervalo comercial da emissora Globo. Apresentadores como Xuxa Meneghel e Fausto Silva, o Faustão, estiveram à frente das divulgações. Xuxa chegou a incentivar as crianças a pedirem aos pais que comprassem o título. O Show do Papa-Tudo, comandado por César Filho, também fez sucesso de audiência na época.
Os sorteios eram realizados aos domingos e divulgados pela TV, e o modelo era semelhante ao da Tele Sena, de Silvio Santos, concorrente que o Papa-Tudo nasceu para enfrentar.
Para garantir que o dinheiro dos compradores existisse na hora do resgate, a lei obriga as empresas de capitalização a manter uma reserva técnica, fiscalizada pela Susep. Foi a insuficiência dessas reservas que levou à crise do Papa-Tudo. A empresa não tinha dinheiro para devolver os resgates nem para entregar todos os prêmios.