Menos Bets na tela!

Governo vai restringir publicidade de bets e obrigar exibição de alerta de perda de dinheiro

Medidas passarão a valer no dia 17 e incluem veto a uso de comentaristas ou influenciadores indicando jogos

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Procedimento é gratuito e passa a valer em até 72 horas após a confirmação do pedido (Foto: Joédson Alves ABr)

BRASÍLIA (FOLHAPRESS) – O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou nesta quinta-feira (9) que o governo vai endurecer regras de publicidade das apostas esportivas. Entre as medidas, as empresas autorizadas serão obrigadas a exibir alertas como “MF adverte: apostar faz você perder dinheiro”, “MF adverte: apostar pode causar dependência” e “MF adverte: aposta não é investimento”.

As normas também restringem estratégias de marketing das bets, como a promoção de ganhos financeiros e o uso de comentaristas para induzir apostas. Conforme antecipou a Folha na última semana, o governo estudava uma nova regra para evitar anúncios que exaltem apostas urgentes, o lucro que pode ser obtido ou incentivem jogadas de risco, após as transmissões da Copa do Mundo serem invadidas por esse tipo de publicidade.

As medidas foram detalhadas nesta quinta e passarão a valer a partir do dia 17 de julho. Segundo ele, uma portaria da Fazenda instituirá as advertências obrigatórias nas campanhas publicitárias, enquanto uma segunda portaria, editada em conjunto com o Ministério da Justiça, estabelecerá novas restrições para a propaganda das empresas autorizadas a operar no país. Elas serão publicadas nesta sexta-feira (10), o que na prática dá uma semana para que as empresas se adaptem às novas regras.

As campanhas não poderão criar senso de urgência para estimular apostas, com chamadas que incentivem o consumidor a apostar imediatamente. Segundo o ministro, o governo já vinha recomendando essa prática ao setor e observou melhora nas peças publicitárias, mas decidiu transformar a orientação em regra para garantir sua continuidade.

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Imagem: Reprodução/IA

Outra proibição atinge o uso de comentaristas, especialistas ou influenciadores para induzir o apostador a acreditar que determinada aposta é a mais indicada ou conta com respaldo técnico. “Não é lícito nem regular induzir o consumidor a erro misturando o comentário de um especialista, dizendo que a melhor aposta é uma ou que o caminho é aquele, dando um verniz de respaldo técnico”, disse Durigan.

O olhar do governo para endurecer as regras contra as bets cresceu após o início da Copa do Mundo de 2026, marcada pela forte presença das casas de apostas nas transmissões esportivas e pelo aumento da preocupação do governo com a exposição do público a esse tipo de publicidade.

Um dos casos que chamou a atenção das autoridades foi o da CazéTV, cujas transmissões no Youtuber passaram a incluir recomendações de apostas feitas pelos próprios narradores durante as partidas, com indicação de odds específicas e destaque para as possibilidades de ganho. As novas normas proíbem justamente campanhas que utilizem especialistas ou comentaristas para induzir consumidores a apostar, com recomendações sobre qual palpite pode ser mais lucrativo. Quando entrou na mira, a CazéTV afirmou, em nota, que segue a legislação brasileira, as diretrizes do Conar e as boas práticas do setor, além de trabalhar exclusivamente com operadoras autorizadas pela Fazenda.

Ministro da Fazenda, Dario Durigan: FGTS para amenizar endividamento (Foto: Divulgação)
Ministro da Fazenda, Dario Durigan: “Governo mantém tolerância zero com plataformas ilegais” (Foto: Divulgação)

As empresas também ficarão impedidas de utilizar ganhos financeiros como chamariz para atrair consumidores. As novas regras proíbem a divulgação de apostas como forma de dinheiro fácil, investimento ou solução para dificuldades financeiras. Da mesma forma, não será permitido exibir históricos de premiações ou resultados passados capazes de induzir o consumidor a acreditar que determinados eventos oferecem maiores chances de ganho. “Quando se mostra o histórico de premiação, se oculta o histórico de perdas”, afirmou.

Segundo Durigan, as normas também reforçam a proteção de crianças e adolescentes. “Há tolerância zero à publicidade que, de alguma maneira, busque atingir criança e adolescente”, destacou.

Durigan afirmou que o governo mantém “tolerância zero” com as plataformas de apostas ilegais, que continuam proibidas de atuar e de veicular qualquer tipo de publicidade no país. Segundo ele, as novas regras de propaganda se destinam apenas às empresas autorizadas pelo Ministério da Fazenda.

Desde o início da regulamentação do setor, o governo já determinou a derrubada de cerca de 56 mil sites, aplicativos e outras plataformas de apostas irregulares. Além disso, aproximadamente mil perfis de influenciadores digitais foram removidos por promoverem operadores ilegais, de acordo com a Fazenda. “Bets ilegais, em nenhuma medida, estão autorizadas e são proibidas de veicular qualquer publicidade”, afirmou o ministro.