SOBRETAXA DE 25%

Novo tarifaço dos EUA: entenda as medidas que podem atingir o Brasil a partir de terça (15)

Prazo legal da investigação americana termina em 15 de julho. Enquanto Washington indica que um anúncio é iminente, empresas dos dois países pressionam contra as tarifas e o governo brasileiro tenta ampliar a lista de exceções.

Lula usou celular de bilionário goiano para falar com Trump e destravar visita à Casa Branca
Lula e Donald Trump no último encontro nos EUA (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O governo dos Estados Unidos deve anunciar até a próxima terça-feira (15) se aplicará novas tarifas sobre produtos brasileiros, em uma decisão que pode afetar mais de 4 mil itens exportados pelo Brasil e pode colocar em risco cerca de US$ 14,9 bilhões em exportações. O prazo marca o encerramento da investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), enquanto empresas americanas e brasileiras intensificam a pressão para evitar a medida e o governo brasileiro corre contra o tempo para reduzir os impactos.

A investigação que termina no dia 15 de julho é a chamada Investigação da Seção 301, conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). Ela foi aberta pelo governo de Donald Trump e apura supostas “práticas comerciais desleais” adotadas pelo Brasil e a Casa Branca já sinalizou que divulgará sua decisão “muito em breve”.

Sobretaxa de 25%

Se as negociações falharem até essa data, o Brasil pode enfrentar um “tarifaço” com uma sobretaxa adicional de 25% sobre grande parte das exportações destinadas ao mercado americano.

A confirmação veio do representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, principal negociador da política comercial do governo Donald Trump. Segundo ele, ainda existe uma “grande distância” entre as reivindicações apresentadas por Washington e as propostas levadas pelo governo brasileiro, indicando que as negociações avançaram pouco nas últimas semanas.

Nos bastidores, a avaliação entre especialistas e integrantes do governo brasileiro, segundo agências internacionais, é de que algum nível de tarifa deverá ser anunciado. Diante desse cenário, a estratégia do governo brasileiro deixou de ser impedir completamente a medida e passou a concentrar esforços na ampliação da lista de produtos que poderão receber isenção ou tratamento diferenciado.

Com tarifaço de Trump, exportações para EUA caem 6,6% em 2025 (Foto: Governo federal)
Com tarifaço de Trump, exportações para EUA caem 6,6% em 2025 (Foto: Governo federal)

Tarifaço contra o Brasil

A ofensiva comercial dos Estados Unidos ocorre em duas frentes distintas.

A primeira prevê uma sobretaxa de 25% sobre produtos industriais e de consumo brasileiros, resultado da investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, que termina no dia 15 de julho.

A segunda investigação envolve um grupo de cerca de 60 países e apura suspeitas relacionadas ao uso de trabalho forçado em cadeias produtivas. Nesse caso, o governo americano estuda uma tarifa adicional de 12,5%, cuja decisão está prevista para 24 de julho.

Caso ambas avancem, diferentes setores da economia brasileira poderão enfrentar um aumento significativo dos custos para exportar ao mercado americano.

Em aniversário de 250 anos, Trump exalta EUA, critica comunismo e cita guerra do Irã
Governo de Donald Trump pode impor tarifas de 25% contra o Brasil (Foto: Casa Branca)

O outro lado

Embora a iniciativa parta da Casa Branca, segundo informações de agências internacionais como a BBC, grandes empresas americanas passaram a pressionar oficialmente contra as novas barreiras comerciais.

Companhias como Tesla, Coca-Cola, Nestlé, Siemens Energy e eBay enviaram manifestações ao USTR argumentando que a taxação do Brasil também prejudicaria a indústria dos próprios Estados Unidos.

Preocupação empresarial

O entendimento dessas empresas é que muitos produtos brasileiros fazem parte das cadeias produtivas americanas. Com tarifas mais altas, os custos de produção aumentariam dentro dos EUA, enquanto empresas brasileiras tenderiam a buscar novos parceiros comerciais, especialmente na Ásia.

Entidades brasileiras compartilham a mesma preocupação. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estimou recentemente que mais de 4 mil produtos exportados pelo Brasil possam ser afetados, com impacto potencial de aproximadamente US$ 14,9 bilhões nas relações comerciais entre os dois países.

Os US$ 14,9 bilhões representam o faturamento de setores como siderurgia, aeronáutica, calçados e autopeças. Com o imposto cobrado pelos EUA, o produto brasileiro pode chegar ao comprador americano 25% mais caro. Na prática, o importador nos EUA pode desistir de comprar do Brasil.

Peças de carne bovina expostas em frigorífico em preparação para exportação (Foto: divulgação)
Novo tarifaço pode afetar US$ 14,9 bilhões em exportações, incluindo carne de origem brasileira (Foto: reprodução)

Exceções e articulação política

No momento, o cenário considerado mais provável pelo governo brasileiro, de acordo com informações de agências brasileiras, é a confirmação das tarifas acompanhada de uma negociação para ampliar exceções destinadas aos setores considerados mais sensíveis.

Paralelamente, existe uma frente de articulação política em Washington que busca adiar a decisão definitiva. A proposta, defendida por parlamentares da oposição brasileira em conversas com autoridades americanas, é empurrar qualquer medida mais dura para depois das eleições brasileiras de outubro, evitando que o tema seja incorporado ao debate eleitoral.

Apesar dessa movimentação, as declarações do USTR reforçam que a decisão oficial deverá ser anunciada dentro do prazo previsto, até a próxima terça-feira.