Segunda-feira, 17 de Agosto de 2026
QUEBRADEIRA

Sindicato prepara ação para tentar barrar demissão em massa na Casas Bahia

Entidade que representam funcionários da Casas Bahia afirma que dispensas ocorreram sem comunicação prévia aos representantes

Da Redação
Por - Goiânia, GO
Publicado em:
Fachada Casas Bahia

(Folhapress) O Sindicato dos Comerciários de São Paulo está preparando uma ação anulatória para impedir a demissão em massa de funcionários do Grupo Casas Bahia.

A varejista, que entrou com pedido de recuperação judicial no último domingo (16) com dívidas que ultrapassam os R$ 13 bilhões, anunciou o fechamento de 298 lojas e a demissão de 1,9 mil funcionários pelo país. O grupo relembra que demissões de grande porte deveriam ter sido comunicadas previamente aos sindicatos.

A reportagem procurou a Casas Bahia por email às 11h47, mas não obteve retorno até a publicação da matéria.

Segundo a entidade, que disse ter sido surpreendida com a decisão, uma reunião acontecerá amanhã, terça-feira (18), às 10h, com representantes da varejista. A ideia é entender alguns pontos, como quantos colaboradores foram afetados no total, se eles serão reaproveitados em outras unidades da holding, se as verbas rescisórias estão sendo pagas, se os planos de saúde continuarão ativos pelo tempo correto.

Um levantamento preliminar do sindicato estima 12 lojas fechadas na capital paulista. A maioria teria sido em shoppings, com a pressão do alto custo com aluguel. Algumas das unidades, segundo o sindicato, estão no Shopping Interlagos, Aricanduva e Central Plaza.

Foram 600 desligamentos de colaboradores na última quinta-feira (13) e cerca de 1.300 na sexta (14) pelo país. À coluna Painel S.A. O Secor (Sindicato dos Empregados no Comércio de Osasco e Região) afirma que os funcionários saíram para trabalhar e encontraram as lojas fechadas, sem qualquer aviso prévio ou acolhimento por parte da varejista.

“Podemos pedir a anulatória baseado na Constituição no que diz respeito a dispensa em massa, ela tem alguns critérios que tem que ser obedecidos. E nenhum foi, simplesmente fecharam e acabou. Os sindicatos não foram avisados”, disse Ricardo Patah, presidente do Sindicato dos Comerciários de São Paulo e da UGT (União Geral dos Trabalhadores).

Fechamento de lojas, demissões e números fracos

O grupo informa no pedido de recuperação judicial a demissão de cerca de 3.000 funcionários, de 30.117 colaboradores que possui, e o fechamento de quase 300 lojas —segundo o documento, a Casas Bahia possui mais de 700 lojas físicas e o Ponto Frio mais de 65.

Com o prejuízo informado neste domingo, a Casas Bahia registra o seu oitavo trimestre seguido de perdas.

Na petição inicial para o pedido de recuperação judicial, a Casas Bahia solicita uma série de medidas de urgência para evitar a paralisação imediata das operações.

A maior preocupação do grupo reside no risco de vencimento antecipado de mais de R$ 10 bilhões em contratos financeiros e comerciais. A empresa afirma que, caso os bancos retenham as garantias de cartão de crédito e Pix, até 60% da entrada mensal de caixa seria drenada imediatamente, inviabilizando o negócio.

Nas redes sociais, ex-funcionários publicaram sobre as demissões. “Pensa numa notícia triste para mim. Foram 21 anos de Casas Bahia, e receber essa notícia não é fácil”, diz Edson Silva, funcionário da loja localizada no município de Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul.

Categorias:
Brasil Economia
Tags:
Casas Bahia