Domingo, 04 de Outubro de 2026
1º TURNO

Daniel Vilela é eleito governador de Goiás 32 anos depois de o pai dele conseguir o mesmo feito

Daniel se reelege embalado pela força da base governista, que tem mais de 200 prefeitos, e pela aprovação do ex-governador Ronaldo Caiado

Por - Goiânia, GO
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Daniel Vilela, Ronaldo Caiado e Gracinha Caiado

O MDB, maior partido de Goiás em número de filiados, voltou a eleger neste domingo (4) o governador: 32 anos depois de o falecido Maguito Vilela derrotar Lúcia Vânia com mais de 1 milhão de votos, o filho dele, Daniel Vilela, conseguiu o mesmo feito.

Nascido em 23 de outubro de 1983, Daniel, aos 42 anos, por pouco não é o mais jovem a se eleger governador de Goiás. Curiosamente, o recorde pertence ao político que o emedebista acaba de superar nas urnas: Marconi Perillo (PSDB), que em 1998 chegou ao cargo de chefe do poder Executivo estadual com 35 anos.

Campanha marcada por liderança de ponta a ponta

A campanha que levou Daniel Vilela (MDB) à disputa pela permanência no Palácio das Esmeraldas foi marcada por uma liderança relativamente confortável nas pesquisas e pela dificuldade dos adversários em ameaçar sua posição ao longo da corrida eleitoral.

Daniel entrou na eleição de 2026 com uma estrutura política construída ainda antes de assumir definitivamente o governo de Goiás. Eleito vice-governador na chapa de Ronaldo Caiado (na época, do União Brasil) em 2022, tornou-se governador em 1º de abril deste ano, após a renúncia do então titular para disputar a Presidência da República.

A chegada ao Palácio das Esmeraldas colocou Daniel na eleição não apenas como candidato apoiado por Caiado, mas como governador em exercício e representante da continuidade do grupo que comanda o Estado desde 2019.

Ao longo da campanha, o emedebista conseguiu preservar uma vantagem expressiva sobre os principais adversários, o senador Wilder Morais (PL) e o ex-governador Marconi Perillo (PSDB). A principal disputa entre os dois, em diferentes momentos da corrida eleitoral, acabou sendo pela segunda colocação.

Governador Daniel Vilela posa para fotos com eleitoras (Foto: Divulgação)
Governador Daniel Vilela posa para fotos com eleitoras (Foto: Divulgação)

Levantamento Goiás Pesquisas encomendado pelo Mais Goiás já mostrava Daniel na liderança em maio, quando ele aparecia com 32,6% das intenções de voto, contra 18,6% de Marconi e 12,2% de Wilder. A distância aumentou durante a campanha.

No início de setembro, Daniel chegou a 42,6%, contra 17,3% de Marconi e 13,4% de Wilder. Pela primeira vez naquele levantamento, o governador ultrapassou a marca necessária para uma vitória em primeiro turno quando considerados apenas os votos válidos: tinha 53,3%.

Na reta final, a possibilidade de definição da eleição já neste domingo ganhou força. Pesquisa Quaest divulgada na véspera da votação mostrou Daniel com 47% das intenções de voto totais, Wilder com 17% e Marconi com 15%. Considerados somente os votos válidos, o governador apareceu com 57%, contra 20% de Wilder, 18% de Marconi e 5% de Luis Cesar Bueno (PT).

Além da vantagem nas pesquisas, Daniel chegou à eleição sustentado por uma ampla base política no Estado, construída a partir da aliança entre MDB e o grupo de Ronaldo Caiado, com mais de 200 prefeitos.

De adversário de Caiado a sucessor

A parceria entre Daniel e Caiado representa uma das principais mudanças da política goiana dos últimos anos. Em 2018, os dois estavam em campos opostos.

Daniel disputou o governo pela primeira vez naquele ano, como candidato do MDB, mas terminou em segundo lugar, com 16,17% dos votos válidos. Caiado venceu a eleição no primeiro turno, com 59,73%.

Daniel Vilela votou em Goiânia acompanhado do ex-governador Ronaldo Caiado (Foto: Divulgação)

Nos anos seguintes, porém, MDB e Caiado começaram uma aproximação que alteraria o desenho político do Estado. O movimento ganhou força em 2021, quando setores do MDB passaram a defender publicamente uma composição com o então governador para a eleição seguinte.

O acordo foi consolidado para a disputa de 2022. Em vez de lançar novamente candidatura própria ao governo, o MDB indicou Daniel para a vice de Caiado. A chapa venceu no primeiro turno, com 51,81% dos votos válidos.

A aliança colocou fim a uma longa trajetória do MDB como adversário do grupo de Caiado e deu a Daniel uma posição central na sucessão estadual.

Durante o segundo mandato de Caiado, Daniel passou a participar diretamente da administração e da articulação política do governo, ao mesmo tempo em que seu nome era preparado para a sucessão. O processo terminou em 31 de março de 2026, quando Caiado renunciou ao cargo. No dia seguinte, Daniel assumiu definitivamente o Palácio das Esmeraldas.

Trajetória começou na Câmara de Goiânia

Daniel Elias Carvalho Vilela nasceu em Jataí, no Sudoeste de Goiás, em 23 de outubro de 1983. Filho do ex-governador Maguito Vilela e de Sandra Regina Carvalho, cresceu em uma família diretamente ligada à história do MDB goiano.

Formado em Direito e pós-graduado em Administração Pública, Daniel iniciou a carreira eleitoral em Goiânia. Foi eleito vereador da capital e exerceu mandato entre 2009 e 2010.

Daniel, ainda criança, ao lado do de Maguito e de Pelé (Foto: Arquivo)

Em seguida, chegou à Assembleia Legislativa. Foi deputado estadual entre 2011 e 2014 e, nas eleições seguintes, conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados, onde cumpriu mandato entre 2015 e 2018.

Em Brasília, chegou à presidência da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara, uma das principais comissões do Congresso.

A primeira tentativa de chegar ao Palácio das Esmeraldas ocorreu em 2018. Daniel assumiu a candidatura do MDB ao governo em uma eleição que marcou o encerramento de um ciclo de duas décadas de protagonismo do grupo político liderado por Marconi Perillo e a chegada de Ronaldo Caiado ao comando do Estado.

Derrotado naquela eleição, Daniel passou os anos seguintes concentrado na reorganização do MDB e na construção de uma nova estratégia para o partido.

Herdeiro de uma tradição política do MDB

A ascensão de Daniel dentro do MDB ocorreu paralelamente à saída de cena de dois dos maiores líderes da história da legenda em Goiás.

Seu pai, Maguito Vilela, morreu em janeiro de 2021, aos 71 anos, em decorrência de complicações da Covid-19. Ex-governador, senador, deputado e prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito havia acabado de ser eleito prefeito de Goiânia quando morreu.

Meses depois, em novembro daquele mesmo ano, morreu Iris Rezende, outro nome histórico do MDB e personagem central da política goiana por décadas.

Daniel Vilela ao lado de Rodrigo Tabata na época em que foi jogador do Goiás Esporte Clube (Foto: Divulgação)

Daniel, que já comandava o MDB estadual, passou então a ocupar uma posição ainda mais relevante na condução política da legenda. A geração que havia sido liderada por Iris e Maguito deu lugar a uma nova configuração partidária, com Daniel como principal articulador estadual.

Foi nesse contexto que ele conduziu a aproximação com Caiado — movimento que inicialmente encontrou resistência dentro do próprio MDB, mas que acabaria por levar o partido de volta ao Palácio das Esmeraldas.

A composição produziu resultados já em 2022, com a reeleição de Caiado e a eleição de Daniel como vice. Quatro anos depois, Daniel chegou à disputa pelo governo não mais como candidato de oposição, como havia ocorrido em 2018, mas ocupando o próprio cargo e sustentado pela estrutura política construída a partir da aliança entre MDB e o grupo caiadista.

A eleição de 2026, portanto, representa um ponto de chegada de uma trajetória que começou no Legislativo municipal, passou pela Assembleia Legislativa e pela Câmara dos Deputados, atravessou uma derrota para o próprio Caiado em 2018 e culminou na aliança que o levou primeiro à vice-governadoria e, depois, ao comando do Estado.

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